Carla Brandão

Outubro Rosa traz conscientização e incentiva a solidariedade

Campanha amplia conscientização sobre câncer de mama e iniciativas incentivam doação de cabelos para ajudar a resgatar autoestima durante o tratamento

Mariana Robrahn - Presidente da ONG Cabelegria
Foto: Arquivo pessoal
Mariana Robrahn - Presidente da ONG Cabelegria




Outubro chega acompanhado da cor rosa, por conta da campanha anual realizada, durante todo o mês, para conscientizar sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama e do colo do útero.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama feminina a cada ano no triênio 2026-2028. O tumor representa cerca de 30% dos casos novos de câncer entre as mulheres, excluindo os tumores de pele não melanoma.

A doença também produz impactos que vão além do tratamento clínico. Para muitas pacientes, a queda dos cabelos provocada pela quimioterapia representa uma mudança visível na própria imagem e pode afetar autoestima, identidade e a maneira como a pessoa se reconhece diante do espelho.

É nesse espaço que iniciativas de solidariedade merecem destaque. A Cabelegria, ONG fundada em 2013 por Mariana Robrahn e Mylene Duarte, arrecada cabelos, transforma as doações em perucas e as distribui gratuitamente a pacientes oncológicos. A organização conta já ter recebido mais de 420 mil doações de cabelo e confeccionado e doado mais de 14 mil perucas.

“Eu acho muito bonito perceber o quanto as pessoas estão dispostas a doar quando entendem o impacto que aquele gesto pode ter. E não são só mulheres: recebemos cabelos de homens, mulheres e crianças de todas as idades", conta Mariana Robrahn, fundadora e presidente da Cabelegria.

Os cabelos chegam à ONG por diferentes caminhos: diretamente na sede, pelos Correios, por pontos de coleta e por ações realizadas em empresas, hospitais, shoppings e outros espaços. A Cabelegria também mantém um Banco de Perucas Móvel. “Muitas vezes existe uma história por trás daquele corte”, explica Mariana. “Uma pessoa que teve alguém próximo que passou pelo câncer, uma criança que deixou o cabelo crescer especialmente para doar, uma família que resolveu fazer isso junto. E também existem pessoas que simplesmente conheceram o trabalho e decidiram ajudar.”

A transformação da mecha em uma peruca envolve várias etapas. Os cabelos recebidos passam por organização e triagem, sendo separados segundo características como cor, comprimento e tipo. “Uma peruca não necessariamente é feita com o cabelo de uma única pessoa”, explica Mariana. “Podemos precisar reunir cabelos de diferentes doadores até termos quantidade e características suficientes para produzir uma peça.”


Luana Aguiar incentiva e desmistifica a doação de cabelos
Foto: Arquivo pessoal
Luana Aguiar incentiva e desmistifica a doação de cabelos



A história de Luana Aguiar como doadora começou cedo. Hoje com 20 anos, ela fez sua primeira doação de cabelo aos 10, depois de conhecer a Cabelegria por meio de uma prima que havia enfrentado um câncer e perdido os cabelos durante o tratamento. “Por ter acompanhado de perto o que ela passou, comecei a entender como uma peruca poderia fazer diferença para quem está enfrentando esse momento”, conta.

Luana cortou o cabelo no salão que frequentava desde criança. Depois, colocou a mecha em um pacote e enviou pelos Correios para a ONG. O que ela não esperava era receber, algum tempo depois, uma fotografia que mostrava uma menina usando uma peruca confeccionada com seu cabelo. “Foi muito emocionante ver que aquele cabelo que era meu tinha se transformado em algo tão importante para outra pessoa”, lembra.


Foto: Arquivo pessoal
Glaucia Mitsue Daizem - 'Eu usei muita touca por conta do calor, mas de peruca era como me ver no espelho e não lembrar que estava doente'


A trajetória de  Glaucia Mitsue Daizem reúne as duas pontas dessa corrente. Ela conheceu o trabalho da Cabelegria depois de uma reportagem exibida em um programa de televisão e passou a doar cabelos regularmente. Sempre que atingia o comprimento necessário, fazia uma nova doação. Anos depois, foi ela quem precisou, quando teve câncer de mama: "Durante meu tratamento em 2025, quando começou a cair meu cabelo, usei a peruca”, conta.  

“Eu usei muita touca por conta do calor, mas de peruca era como me ver no espelho e não lembrar que estava doente.”

Durante o tratamento, Glaucia contou com acompanhamento psicológico e descreve a perda dos pelos do corpo como uma experiência difícil. “Mesmo sabendo que ia ficar sem cabelo, a sensação de perdê-lo é devastadora”, afirma.

Outubro Rosa mobiliza, mas a necessidade permanece o ano inteiro
Para Mariana, o mês de outubro tem um papel importante justamente por ampliar a visibilidade da causa. Empresas, hospitais, shoppings, salões de beleza e outras instituições procuram a Cabelegria para organizar campanhas, cortes solidários e arrecadações. “Outubro é, sem dúvida, um período de mobilização muito maior”, afirma.

“O Outubro Rosa é extremamente importante para conscientizar e mobilizar, mas um dos nossos objetivos é justamente fazer com que essa solidariedade e esse olhar para quem está em tratamento continuem depois que outubro termina”, completa Mariana.

Clica para conhecer:  https://www.cabelegria.org/

ATENÇÃO:   A Cabelegria informa que aceita cabelos de diferentes tipos, inclusive com química e coloração, e estabelece 15 cm como comprimento mínimo para doação.

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal iG