Férias e telas: como evitar excessos e proteger as crianças
I.A
Férias e telas: como evitar excessos e proteger as crianças

O uso de telas por crianças e adolescentes tende a aumentar com a chegada das férias escolares. Mais tempo livre, mudanças na rotina e o desafio de conciliar trabalho e cuidados com os filhos fazem com que celulares, tablets, videogames e televisões se tornem “aliados” frequentes dos responsáveis. O problema começa quando esse uso deixa de ser pontual e passa a ocupar grande parte do dia, criando hábitos difíceis de reverter.

Segundo Larissa Guarnieri Capito, especialista em Psicologia Escolar e da Educação e orientadora educacional do Colégio Santa Catarina, o período de férias é especialmente sensível para a formação de hábitos digitais. “Como o recesso costuma durar mais de 30 dias e as opções de lazer nem sempre estão disponíveis diariamente, é comum que jogos, redes sociais e streamings passem a estruturar a rotina da criança”, explica.

Impactos do uso excessivo de telas

Irritabilidade, ansiedade, impulsividade, redução do foco, prejuízos no sono e diminuição das interações sociais estão entre os principais sintomas do uso prolongado de telas. Esses efeitos se tornam mais evidentes no retorno às aulas. “É comum observar dificuldade de concentração, aumento de conflitos entre estudantes e até comportamentos de isolamento social, reflexo da redução das interações presenciais e do excesso de estímulos digitais”, afirma Larissa.

Os prejuízos são ainda maiores em crianças pequenas, especialmente as que estão em fase de consolidação da linguagem ou alfabetização. O uso prolongado reduz trocas verbais e empobrece o vocabulário. Guias oficiais, como o Guia de Uso de Telas, do Governo Federal, destacam impactos diretos na comunicação e no desenvolvimento da linguagem.

Sinais de alerta incluem dificuldade de lidar com o tédio, agitação, alterações no sono e na alimentação, além de ansiedade e irritação. Para Larissa, o principal erro é liberar dispositivos sem monitoramento e sem regras claras. “Diálogo, orientação e mediação parental são fundamentais. Não é possível afastar totalmente as crianças da tecnologia, mas é papel dos adultos educar para o uso consciente”, destaca.

Falsa sensação de segurança

A especialista alerta que as telas geram uma falsa sensação de segurança nos adultos. “Quando a criança está no celular ou no tablet, parece estar protegida e sob controle. Mas no ambiente digital existem riscos reais, como acesso a conteúdos inadequados, excesso de publicidade e estímulos que afetam a autoimagem e a saúde mental”, reforça.

Nesses casos, tanto o tempo de exposição quanto o tipo de conteúdo exigem atenção. Poucos minutos diante de conteúdos violentos ou sexualizados podem causar impactos significativos, enquanto o uso prolongado, acima de quatro horas diárias, dependendo da idade, amplia os prejuízos ao desenvolvimento infantil e juvenil.

Tempo de tela recomendado

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) orienta:

  • Nenhuma exposição para crianças menores de 2 anos;
  • Até 1 hora por dia entre 2 e 5 anos, com interação de adultos;
  • Até 2 horas diárias entre 6 e 10 anos;
  • Até 3 horas por dia para adolescentes de 11 a 17 anos.

Como reduzir o uso nas férias

Estabelecer regras, definir horários e reduzir gradualmente o tempo de exposição ajuda a evitar conflitos. Criar zonas livres de telas, como quartos, mesas de refeição e banheiros, contribui para melhorar o sono, a alimentação e as interações familiares.

Para substituir os dispositivos, Larissa recomenda resgatar o brincar livre. “O tédio é essencial para o desenvolvimento da criatividade. É nesse espaço que a criança inventa, cria e aprende a lidar com o tempo de forma saudável. Favoreçam momentos de convivência e imaginação. As telas devem ser o último recurso, não a ocupação principal das férias”, resume.

Nas famílias em que os responsáveis trabalham fora, o ideal é reforçar o monitoramento, alinhar os combinados com outros cuidadores e dedicar tempo de qualidade à criança sempre que possível.

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