Janeiro Branco alerta para impacto da saúde mental na saúde bucal
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Janeiro Branco alerta para impacto da saúde mental na saúde bucal

O Janeiro Branco reforça a importância de olhar com mais atenção para a saúde mental, um tema cada vez mais presente na rotina dos brasileiros.

Dados recentes apontam que o Brasil lidera o ranking mundial de transtornos de ansiedade, atingindo 9,3% da população, cerca de 18 milhões de pessoas. A depressão também preocupa e teve seus números agravados após a pandemia de Covid-19, que provocou um aumento de 25% nos casos de transtornos mentais no país, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os impactos da saúde mental vão além do emocional e refletem diretamente no corpo, inclusive na saúde bucal, muitas vezes de forma silenciosa. Transtornos como ansiedade, depressão e estresse podem favorecer o surgimento de diferentes problemas dentários.

No caso da depressão, sintomas como apatia, tristeza persistente e isolamento social podem levar à negligência dos cuidados básicos de higiene.

De acordo com Anna Karolina Ximenes, dentista da IGM Odontologia para Família, essa relação é mais comum do que se imagina. “Quando o paciente está deprimido, ele tende a perder o interesse pelo autocuidado de forma geral. A higiene bucal acaba ficando em segundo plano, favorecendo o acúmulo de placa bacteriana, o surgimento de cáries, inflamações gengivais e até mau hálito. Muitas vezes, esses problemas evoluem de forma silenciosa e só são percebidos quando já estão em estágio mais avançado”, explica.

A ansiedade também tem reflexos diretos na saúde da boca. Segundo a especialista, o transtorno está frequentemente associado ao bruxismo ou apertamento dental, hábitos involuntários de ranger ou apertar os dentes.

“A ansiedade mantém o organismo em estado constante de alerta e tensão, com excesso de contração muscular, que pode se manifestar na boca por meio do bruxismo. Isso leva ao desgaste dos dentes, pequenas fraturas, dores na mandíbula, dores de cabeça e, com o tempo, alterações na articulação temporomandibular”, afirma. Em muitos casos, o paciente nem percebe que range os dentes, e os sinais surgem apenas durante a avaliação odontológica.

O estresse contínuo pode agravar ainda mais esse quadro. “Quando o estresse se torna crônico, ele intensifica hábitos parafuncionais, como apertar os dentes ao longo do dia, morder objetos ou manter a musculatura facial sempre contraída. Isso sobrecarrega dentes e articulações, podendo causar dores persistentes e limitação dos movimentos da mandíbula”, acrescenta.

Para Anna Karolina, a relação entre saúde mental e saúde bucal deve ser observada de forma integrada. “O tratamento não pode olhar apenas para a boca de forma isolada. É fundamental compreender o contexto emocional do paciente e, quando necessário, atuar em conjunto com psicólogos, psiquiatras e outros profissionais da saúde. Cuidar do sorriso também é cuidar da autoestima, e isso impacta diretamente o equilíbrio emocional”, ressalta.

A dentista reforça que o cuidado com a saúde deve ser completo.“Mente e corpo caminham juntos, e a boca é um reflexo claro desse equilíbrio. Quando o paciente passa a cuidar melhor da saúde mental, os reflexos positivos também aparecem na saúde bucal”, conclui.

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