
A manga é uma das frutas mais populares no Brasil, mas também uma das que mais geram dúvidas entre pessoas com diabetes. Por ser naturalmente doce e mais rica em carboidratos, muitos acreditam que ela deve ser totalmente evitada, o que não é verdade.
Segundo a nutricionista Kenya Farnum Raposo, pessoas com diabetes podem consumir manga, desde que com moderação, porção adequada e dentro de uma refeição equilibrada. “Não é necessário excluir a fruta, mas sim entender como ela se comporta no organismo”, explica.
A especialista destaca que a manga possui índice glicêmico médio, que aumenta conforme o grau de maturação. “Quanto mais madura, mais doce e maior o impacto na glicemia”, diz Kenya. No entanto, o fator mais importante não é apenas o índice glicêmico, mas a carga glicêmica, que considera a quantidade efetivamente consumida.
Estudos internacionais apontam que porções menores de frutas podem ser bem toleradas por pessoas com diabetes quando combinadas com proteínas ou gorduras boas, que reduzem a velocidade de absorção da glicose.
Por isso, a nutricionista recomenda estratégias simples para evitar picos glicêmicos. Combinar a manga com iogurte natural, kefir, oleaginosas ou sementes como chia e linhaça ajuda a retardar o esvaziamento gástrico, melhora a saciedade e limita oscilações bruscas na glicemia. “Essa é uma estratégia especialmente útil para quem tem maior sensibilidade glicêmica”, afirma.
A forma de consumo também faz toda a diferença. A manga in natura é a melhor opção para diabéticos, pois preserva fibras que controlam a velocidade de absorção dos açúcares. Já o suco de manga deve ser evitado, pois concentra frutose, elimina fibras e eleva a glicemia de forma muito mais rápida.
Preparações industrializadas, como polpas adoçadas, geleias e doces, também não são recomendadas devido ao alto teor de açúcar, mesmo em pequenas porções.
A fruta pode ser incluída com segurança quando a glicemia está bem controlada, a porção é adequada e o consumo acontece dentro de uma refeição balanceada, e não como lanche isolado. Para pacientes insulinodependentes, a nutricionista reforça a importância de monitorar a resposta individual e usar contagem de carboidratos.
“A manga não é vilã. Com orientação e estratégia, ela pode fazer parte de uma alimentação saudável e prazerosa, mesmo para quem convive com o diabetes”, conclui Kenya.
