
A dor no joelho é uma queixa comum a partir dos 40 anos e está frequentemente associada à osteoartrite, doença que compromete a cartilagem e limita movimentos simples do dia a dia.
Estudos internacionais indicam que cerca de 23% dos adultos nessa faixa etária convivem com o problema, o que faz da condição uma das principais causas de dor crônica e perda de funcionalidade articular. Nesse contexto, técnicas de infiltração têm sido cada vez mais consideradas no tratamento ortopédico.
Entre elas está a infiltração com plasma rico em plaquetas (PRP), procedimento que utiliza o próprio sangue do paciente para auxiliar no controle da inflamação e na recuperação dos tecidos da articulação. A técnica tem sido indicada principalmente para pessoas que não obtiveram melhora satisfatória com medidas conservadoras, como fisioterapia e uso de medicamentos.
Um estudo realizado no Hospital Universitário Antônio Pedro, da Universidade Federal Fluminense (UFF), no Rio de Janeiro, acompanhou cerca de 50 pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), todos com queixas relacionadas ao joelho. Parte dos voluntários recebeu infiltração com PRP e outra parte foi tratada com ácido hialurônico. Os resultados mostraram melhor resposta clínica no grupo que recebeu o plasma, sem registro de efeitos colaterais relevantes.
Segundo o ortopedista e médico do esporte Pedro Ribeiro, o diferencial do método está no uso de mecanismos naturais do próprio organismo. “O sangue do paciente é coletado e centrifugado para concentrar as plaquetas, que são ricas em fatores de crescimento. Quando aplicadas na articulação, essas substâncias ajudam a reduzir a inflamação e a melhorar o funcionamento do joelho”, explica.
Como funciona a infiltração com PRP
- Coleta de uma pequena quantidade de sangue do próprio paciente
- Processamento em centrífuga para concentrar as plaquetas
- Aplicação do plasma diretamente na articulação do joelho
- Procedimento minimamente invasivo, realizado em ambiente ambulatorial
Para o especialista, o procedimento não deve ser visto como solução isolada. “O PRP faz parte de um conjunto de estratégias. Ele pode ajudar a controlar os sintomas e retardar a progressão da doença, mas precisa estar associado a fortalecimento muscular, reabilitação e acompanhamento médico”, ressalta Dr. Pedro Ribeiro.
