
Após infarto do influenciador Henrique Maderite ganhar repercussão nas redes sociais, um detalhe pouco conhecido do grande público voltou a ser debatido: o chamado Sinal de Frank, uma prega diagonal no lóbulo da orelha que pode estar associada a maior risco de doenças cardiovasculares.
A marca é identificada por um sulco que atravessa o lóbulo em direção diagonal e, geralmente, aparece de forma bilateral. Não causa dor, não provoca sintomas e muitas vezes passa despercebida. Ainda assim, em consultórios de cardiologia, pode funcionar como um possível marcador clínico complementar, especialmente quando associado a outros fatores de risco.
“O Sinal de Frank não é um diagnóstico e não significa que a pessoa vá infartar. Ele é um possível marcador de maior risco, que precisa ser avaliado dentro de um contexto clínico completo”, explica o cardiologista Dr. Vagner Vinicius Ferreira, do grupo Mantevida.
Segundo o especialista, a hipótese científica é que a prega possa refletir alterações na microcirculação sanguínea e na elasticidade dos vasos, fenômenos que também ocorrem nas artérias coronárias quando há processo de aterosclerose. “Existe a possibilidade de que essa marca esteja relacionada à microangiopatia e à perda de elasticidade vascular, algo que também acontece nas artérias do coração”, afirma.
A aterosclerose é caracterizada pelo acúmulo progressivo de placas de gordura, como o colesterol, nas paredes das artérias. Essas placas podem reduzir o calibre do vaso, inflamar, romper ou sofrer erosão, favorecendo a formação de coágulos que interrompem o fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco, mecanismo que pode levar ao infarto agudo do miocárdio. O processo, na maioria das vezes, evolui de forma silenciosa por anos.
Ele reforça que idade, sedentarismo, tabagismo, alimentação inadequada e predisposição genética continuam sendo os principais fatores de risco comprovados. “A prevenção ainda é a ferramenta mais poderosa. Exames periódicos, controle dos fatores modificáveis e mudanças no estilo de vida reduzem significativamente a chance de eventos graves”, orienta.
Embora o Sinal de Frank não faça parte de protocolos diagnósticos formais nem substitua exames como eletrocardiograma, teste ergométrico, ecocardiograma ou angiotomografia coronariana, pode funcionar como um alerta visual para que a pessoa busque avaliação médica. Em caso de sintomas como dor no peito, falta de ar, suor frio ou mal-estar súbito, a recomendação é procurar atendimento imediato.
