A morte da sambista Adriana Araújo , aos 49 anos, trouxe novamente atenção para uma condição que muitas vezes evolui de forma silenciosa: o aneurisma cerebral. A cantora faleceu na segunda-feira (2/3), no Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte, após sofrer um aneurisma no último sábado.
Segundo informações divulgadas nas redes sociais, Adriana passou mal em casa, desmaiou e foi levada inicialmente a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), sendo posteriormente transferida para atendimento hospitalar.
De acordo com o neurocirurgião Victor Hugo Espíndola, o aneurisma cerebral é uma dilatação anormal na parede de uma artéria do cérebro. “Em muitos casos ele não provoca sintomas. A pessoa pode conviver com essa alteração por anos sem saber que possui um aneurisma”, explica.
O risco maior ocorre quando essa dilatação se rompe. “Quando há ruptura, ocorre um sangramento dentro do cérebro, caracterizando uma emergência médica. Os sinais mais comuns são dor de cabeça súbita e intensa, desmaio, náuseas, vômitos e alterações neurológicas”, afirma o especialista.
Uma condição mais comum do que parece
Embora muitas pessoas só ouçam falar da doença em casos graves, o aneurisma cerebral não é raro. Estudos epidemiológicos indicam que cerca de 3% a 5% da população mundial pode ter um aneurisma cerebral, muitas vezes sem apresentar sintomas.
Segundo estimativas médicas internacionais, apenas uma parcela desses aneurismas se rompe ao longo da vida, mas quando isso ocorre o quadro pode ser grave. A ruptura provoca a chamada hemorragia subaracnoide, tipo de sangramento cerebral associado a altas taxas de mortalidade e complicações neurológicas.
Fatores de risco
De acordo com Dr. Victor Hugo Espíndola, alguns fatores aumentam significativamente a probabilidade de desenvolvimento ou ruptura de aneurismas.
Entre os principais estão:
- hipertensão arterial
- tabagismo
- histórico familiar de aneurisma
- algumas condições genéticas
- envelhecimento das artérias
“Manter a pressão arterial controlada, evitar o cigarro e realizar acompanhamento médico regular são medidas importantes, principalmente para pessoas com maior risco”, orienta o médico.
Quando procurar ajuda
O neurocirurgião reforça que uma dor de cabeça muito intensa e repentina deve sempre ser investigada com urgência.
O diagnóstico geralmente é feito por exames de imagem, como tomografia ou angiografia cerebral, que permitem identificar alterações nas artérias e orientar o tratamento adequado.
Segundo o especialista, a rapidez no atendimento pode fazer diferença decisiva no prognóstico do paciente.