A obesidade infantil deixou de ser apenas uma preocupação estética e passou a ser reconhecida como uma doença crônica e complexa, caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura no corpo. O problema já é considerado uma pandemia global e exige atenção imediata de famílias, profissionais de saúde e autoridades públicas.
Segundo o pediatra Antonio Carlos Turner, diretor técnico da rede de clínicas Total Kids, o impacto do excesso de peso na infância pode acompanhar a criança por toda a vida. “Uma criança obesa tem muito mais chances de se tornar um adulto obeso, aumentando o risco de desenvolver ainda na infância doenças típicas da vida adulta, como diabetes tipo 2, hipertensão, colesterol alto, problemas cardiovasculares e até alguns tipos de câncer”, explica.
De acordo com o especialista (CRM 52-46851-4 | RQE 49635), compreender as causas da obesidade é essencial para enfrentá-la. A doença não surge por um único fator, mas por uma combinação de elementos biológicos e ambientais.
“A genética pode influenciar, especialmente quando há histórico de obesidade na família. Porém, a vida moderna também trouxe desafios importantes. Alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar, gorduras e sal como refrigerantes, salgadinhos e biscoitos recheados, passaram a fazer parte da rotina alimentar das crianças. Ao mesmo tempo, o sedentarismo aumentou, com muitas horas em frente às telas e menos tempo dedicado a brincadeiras e atividades físicas”, afirma Turner.
Outro fator importante é o sono inadequado. Dormir menos do que o recomendado interfere nos hormônios que regulam a fome e a saciedade, estimulando o aumento do apetite. Apesar do cenário preocupante, a prevenção é possível e depende principalmente de hábitos construídos desde cedo.
Prevenção começa antes do nascimento
O cuidado com a obesidade infantil pode começar ainda na gestação. A saúde materna, incluindo alimentação equilibrada e ganho de peso adequado durante a gravidez, influencia diretamente o metabolismo da criança. Por isso, o acompanhamento pré-natal é fundamental.
Aleitamento materno protege contra obesidade
O leite materno também desempenha papel importante na prevenção. Além de oferecer nutrientes ideais para o desenvolvimento do bebê, ele contém componentes que ajudam na regulação metabólica.
Alimentação saudável desde a introdução alimentar
Após os seis meses, a introdução alimentar deve priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, legumes, verduras, feijão, arroz e carnes.
Especialistas recomendam evitar açúcar e adoçantes antes dos dois anos de idade e reduzir ao máximo alimentos ultraprocessados. Oferecer variedade de cores e sabores também ajuda no desenvolvimento do paladar infantil.
Outro ponto importante é realizar refeições em família, à mesa e longe das telas, criando um ambiente mais saudável e consciente para a alimentação.
Menos telas e mais atividade física
O excesso de tempo diante de celulares, tablets, computadores e televisão está diretamente associado ao sedentarismo e ao aumento do peso corporal.
A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda:
- menores de 2 anos: não utilizar telas
- de 2 a 5 anos: até 1 hora por dia
- de 6 a 10 anos: de 1 a 2 horas por dia, fora do período escolar
Além disso, as crianças devem realizar pelo menos 60 minutos diários de atividade física moderada ou intensa. Brincar ao ar livre, correr, andar de bicicleta ou praticar esportes são hábitos essenciais para o desenvolvimento saudável.
Rotina de sono também influencia
Dormir bem é parte importante da prevenção. A privação de sono aumenta a produção do hormônio da fome, conhecido como grelina, e reduz os hormônios ligados à saciedade.
Manter horários regulares para dormir e acordar, evitar telas antes de dormir e garantir um ambiente confortável no quarto ajudam a melhorar a qualidade do sono.
Acompanhamento pediátrico é fundamental
Para Turner, o pediatra deve ser um aliado constante das famílias no acompanhamento do crescimento infantil. Consultas regulares permitem monitorar peso, altura e desenvolvimento, além de identificar precocemente sinais de excesso de peso.
“A obesidade infantil pode ser prevenida quando existe informação, acompanhamento médico e participação ativa da família. O objetivo é garantir que as crianças cresçam com saúde e qualidade de vida”, conclui.