Prótese de mama aumenta risco de câncer?
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Prótese de mama aumenta risco de câncer?

Nos últimos anos, alertas sobre uma possível relação entre implantes mamários e câncer passaram a gerar dúvidas entre mulheres que já possuem prótese ou pensam em realizar o procedimento. Informações que circulam nas redes sociais muitas vezes misturam dados científicos com interpretações equivocadas, aumentando a preocupação entre pacientes.

De acordo com o cirurgião plástico Régis Ramos, é importante diferenciar o que de fato está comprovado pela ciência e o que ainda gera confusão.

Segundo o especialista, pesquisas realizadas em diferentes países demonstram que implantes mamários, sejam de silicone ou preenchidos com solução salina, não aumentam o risco de desenvolvimento do câncer de mama mais comum, que surge nas glândulas ou nos ductos mamários.

“A comunidade médica internacional considera os implantes seguros quando há indicação adequada e acompanhamento profissional regular. O que existe é uma associação com uma condição extremamente rara e específica, que precisa ser esclarecida para o público”, explica o médico.

Um linfoma raro associado ao implante

A condição mencionada é conhecida como BIA-ALCL (Linfoma Anaplásico de Grandes Células associado a Implante Mamário). Diferente do câncer de mama tradicional, trata-se de um linfoma, ou seja, um tipo de câncer que afeta células do sistema imunológico.

Esse tumor costuma se desenvolver na cápsula fibrosa formada naturalmente pelo organismo ao redor da prótese.

Segundo Dr. Régis Ramos, esse linfoma geralmente aparece anos após a cirurgia e, embora seja raro, levou a mudanças nos protocolos de acompanhamento médico e na avaliação de determinados tipos de implantes.

Estudos indicam que a maioria dos casos está associada a próteses com superfície texturizada. A hipótese científica é que essa textura possa favorecer processos inflamatórios crônicos ou facilitar a colonização bacteriana, estimulando reações imunológicas locais.

Ainda assim, não existe uma causa única comprovada, sendo considerada uma interação entre o implante, características do organismo e fatores do sistema imunológico.

Sinais que exigem avaliação médica

Algumas alterações podem servir como sinais de alerta. Entre elas estão:

  • aumento repentino e unilateral da mama
  • acúmulo de líquido ao redor da prótese anos após a cirurgia
  • dor persistente
  • presença de nódulos na região do implante

“Nesses casos, a recomendação é procurar avaliação médica o quanto antes”, orienta o especialista.

O diagnóstico costuma ser realizado por meio de exames de imagem, como ultrassonografia e ressonância magnética, além da análise do líquido ou tecido ao redor do implante.

Quando identificado em estágio inicial, o tratamento costuma envolver a retirada da prótese associada à remoção da cápsula que envolve o implante, procedimento que, na maioria dos casos, apresenta caráter curativo. Em situações mais avançadas, podem ser necessárias terapias complementares, como quimioterapia ou radioterapia.

Informação e acompanhamento são essenciais

Para Dr. Régis Ramos, a prevenção começa com uma escolha informada e com acompanhamento médico regular.

“É fundamental que a paciente converse com o cirurgião sobre os tipos de implante, seus benefícios, possíveis riscos e alternativas reconstrutivas. O acompanhamento periódico também é indispensável para monitorar a saúde das mamas”, destaca.

Outro ponto importante é combater a desinformação. A presença de prótese não impede a realização de mamografia, embora o exame possa exigir técnicas adaptadas e, em alguns casos, complementação com outros métodos de imagem.

Para mulheres que já possuem implantes, a orientação é manter consultas regulares e procurar atendimento médico caso surjam sintomas como dor, inchaço ou alterações tardias nas mamas.

“A principal mudança dos últimos anos foi o aumento da vigilância médica sobre o BIA-ALCL. Trata-se de uma condição rara, mas com altas chances de tratamento eficaz quando diagnosticada precocemente. Informação e acompanhamento adequado são as melhores formas de garantir segurança para as pacientes”, conclui o cirurgião plástico.

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