Dra. Maria Inez Dacoregio explica como exames genômicos ajudam a encerrar a “odisseia diagnóstica” de muitos pacientes
Acervo pessoal
Dra. Maria Inez Dacoregio explica como exames genômicos ajudam a encerrar a “odisseia diagnóstica” de muitos pacientes

Os avanços da genética médica estão transformando a forma como muitas doenças são diagnosticadas e compreendidas. Condições que antes permaneciam sem explicação por anos agora podem ser identificadas por meio de exames genômicos cada vez mais precisos, abrindo caminho para tratamentos personalizados e estratégias de prevenção.

A médica Maria Inez Dacoregio, residente de Genética Médica no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, explica que a especialidade tem papel fundamental no diagnóstico e acompanhamento de pacientes com doenças genéticas, condições raras, malformações congênitas e alterações do desenvolvimento.

“A genética e a genômica representam uma das fronteiras mais fascinantes da medicina. Elas permitem descobrir a origem molecular de muitas doenças, possibilitando diagnósticos mais precisos e, cada vez mais, tratamentos personalizados”, afirma.

Segundo a especialista , compreender a base genética das doenças também permite identificar riscos antes mesmo do surgimento de sintomas. Isso abre espaço para estratégias de prevenção individualizadas, além de oferecer às famílias informações importantes para decisões futuras.

Genética no centro da medicina de precisão

A genética médica hoje ocupa posição central no que especialistas chamam de medicina de precisão, um modelo que busca adaptar diagnóstico e tratamento às características individuais de cada paciente.

Na prática clínica, o trabalho envolve a investigação de doenças genéticas raras, atraso do desenvolvimento, transtornos do neurodesenvolvimento, síndromes genéticas e malformações congênitas.

Outro aspecto importante da especialidade é a interpretação de exames genômicos avançados, como o sequenciamento do exoma e o sequenciamento do genoma, capazes de identificar alterações genéticas que podem explicar determinadas condições de saúde.

Além da assistência clínica, a área também envolve pesquisa científica. “A pesquisa em genômica busca melhorar as estratégias de diagnóstico e ampliar o conhecimento sobre doenças raras, o que pode beneficiar muitos pacientes que ainda não possuem respostas para suas condições”, explica.

A “odisseia diagnóstica” das doenças raras

Uma das situações mais comuns no consultório de genética é a chamada odisseia diagnóstica. O termo descreve o longo caminho que muitas famílias percorrem em busca de um diagnóstico.

“Muitos pacientes passam anos realizando consultas e exames sem conseguir identificar a causa de determinados sintomas. A genética pode ajudar a encerrar esse processo, oferecendo respostas que antes não eram possíveis”, afirma.

Entre as dúvidas mais frequentes dos pacientes estão quando uma condição pode ter origem genética e em que situações os testes genéticos devem ser realizados.

Também são comuns perguntas sobre o impacto dessas informações para a saúde da pessoa ou da família, além do risco de recorrência em futuras gestações.

Mitos sobre doenças genéticas

Apesar dos avanços científicos, ainda existem muitos equívocos sobre genética médica. Um dos mais comuns é acreditar que todas as doenças genéticas são hereditárias.

“Na realidade, muitas alterações genéticas surgem de forma espontânea, sem histórico familiar prévio”, explica a médica.

Outro mito frequente é pensar que exames genéticos servem apenas para confirmar doenças raras. Hoje, a genética já é utilizada em diversas áreas da medicina, incluindo oncologia, cardiologia, neurologia e medicina preventiva.

Mesmo com a ampliação dos testes disponíveis, a especialista reforça que os exames genéticos não substituem a avaliação médica. “A interpretação correta dos resultados depende sempre do contexto clínico e deve ser feita por profissionais com formação específica na área.”

Prevenção e aconselhamento genético

Dentro da genética médica, a prevenção está relacionada principalmente à identificação precoce de riscos.

Isso pode incluir a análise do histórico familiar, avaliação clínica detalhada e, quando indicado, a realização de testes genéticos específicos.

O aconselhamento genético também tem papel importante, especialmente para famílias com histórico de doenças hereditárias ou para casais que desejam planejar uma gestação.

“Quando identificamos determinados riscos, podemos implementar estratégias de vigilância e prevenção personalizadas, o que contribui para melhorar a qualidade de vida dos pacientes”, explica.

Avanços tecnológicos ampliam possibilidades

Nos últimos anos, a genética médica passou por uma verdadeira revolução tecnológica.

O avanço das técnicas de sequenciamento genômico, como o sequenciamento do exoma e do genoma, ampliou significativamente a capacidade de identificar alterações genéticas associadas a diversas doenças.

Essas tecnologias permitem detectar mutações com maior precisão e rapidez, aumentando as chances de diagnóstico em casos complexos.

Além disso, a expansão da medicina personalizada tem possibilitado tratamentos cada vez mais direcionados às características genéticas de cada paciente.

Outro campo promissor é o das terapias gênicas, que buscam corrigir ou modificar genes responsáveis por determinadas doenças, abrindo novas perspectivas terapêuticas para condições que antes tinham poucas opções de tratamento.

A importância de profissionais especializados

Para quem busca avaliação genética, a orientação principal é procurar profissionais com formação específica e experiência na área.

“A genética exige conhecimento técnico para interpretar corretamente os exames e orientar o paciente de forma adequada”, explica a médica.

Ela também destaca a importância de uma abordagem humanizada. Muitas vezes, os diagnósticos genéticos envolvem questões complexas que impactam não apenas o paciente, mas toda a família.

“A medicina evolui rapidamente, especialmente na área da genética. Ter acompanhamento com profissionais atualizados faz toda a diferença para garantir o melhor cuidado possível”, conclui.

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