Nos últimos anos, cardiologistas têm observado uma mudança importante no perfil dos pacientes atendidos nos consultórios. Problemas que antes eram mais comuns em pessoas mais velhas começam a aparecer cada vez mais cedo, muitas vezes associados ao estilo de vida sedentário.
De acordo com a cardiologista Dra. Rayanne Dantas, esse cenário não significa necessariamente que infartos estejam se tornando comuns entre jovens, mas indica um aumento significativo de fatores de risco cardiovasculares nessa faixa etária.
“Temos observado um aumento importante de fatores de risco cardiovasculares em pessoas cada vez mais jovens. Não significa necessariamente que infartos estejam acontecendo em grande número nessa faixa etária, mas vemos com mais frequência jovens com pressão alta, colesterol elevado, sobrepeso e alterações metabólicas”, explica.
Segundo a especialista, o sedentarismo tem papel direto nesse processo, já que a falta de atividade física interfere em diversos mecanismos do organismo.
“O sedentarismo tem relação direta com esse cenário, porque a falta de atividade física contribui para ganho de peso, piora da circulação e alterações hormonais e metabólicas que aumentam o risco de doenças cardíacas ao longo do tempo”, afirma.
Impacto do estilo de vida atual
A rotina moderna, marcada por muitas horas em frente a telas, trabalho em computador e pouco movimento ao longo do dia, também tem preocupado especialistas. Mesmo entre jovens aparentemente saudáveis, o comportamento sedentário pode trazer consequências importantes para a saúde cardiovascular.
“Passar muitas horas sentado reduz o gasto energético do corpo e diminui a eficiência do metabolismo. Com menos movimento, a circulação sanguínea também fica mais lenta e há maior tendência ao acúmulo de gordura corporal”, explica a médica.
Esse conjunto de fatores pode favorecer alterações na pressão arterial, no colesterol e até aumentar processos inflamatórios no organismo, condições diretamente relacionadas ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares.
Sinais que merecem atenção
No início, os efeitos do sedentarismo costumam surgir de forma silenciosa. Muitas vezes, os primeiros sinais aparecem de maneira sutil no dia a dia.
Em muitos casos, os primeiros alertas surgem apenas em exames de rotina, com resultados como colesterol elevado, aumento da glicose ou outros indicadores metabólicos alterados.
Jovens também podem desenvolver hipertensão
Apesar de ainda existir a percepção de que doenças cardiovasculares são problemas da terceira idade, a realidade mostra que jovens também podem desenvolver alterações importantes quando levam uma rotina sedentária.
“A atividade física tem papel fundamental no controle da pressão arterial, na regulação do metabolismo e na manutenção da saúde dos vasos sanguíneos. Quando ela está ausente da rotina, o organismo perde mecanismos importantes de proteção”, explica a cardiologista.
Além disso, o sedentarismo frequentemente vem acompanhado de outros hábitos que aumentam os riscos para o coração, como alimentação desequilibrada, estresse e noites mal dormidas.
Quanto exercício o coração precisa?
Para proteger o sistema cardiovascular, as principais diretrizes médicas recomendam pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana. Isso pode ser dividido, por exemplo, em cerca de 30 minutos por dia, cinco vezes na semana.
Caminhada em ritmo acelerado, bicicleta, corrida leve, dança ou natação já são atividades capazes de estimular o sistema cardiovascular e trazer benefícios importantes para a saúde.
“O mais importante é manter regularidade, porque o coração responde muito bem ao estímulo contínuo do movimento”, destaca a médica.
Pequenas mudanças já fazem diferença
Para quem leva uma rotina muito sedentária, a orientação é começar de forma gradual. Mudanças simples no dia a dia já ajudam a quebrar o ciclo da falta de movimento.
“Muitas pessoas acreditam que precisam iniciar com treinos intensos, mas pequenas mudanças já fazem grande diferença. Caminhar mais ao longo do dia, subir escadas, reduzir o tempo sentado e reservar alguns minutos para atividade física são atitudes que ajudam a quebrar o ciclo do sedentarismo”, explica.
Com o tempo, o corpo se adapta e torna-se mais fácil aumentar a intensidade e a frequência dos exercícios. A médica também ressalta a importância do acompanhamento profissional para avaliar pressão arterial, colesterol e outros indicadores relacionados à saúde do coração.