Nariz entupido, tontura e rinite: quando procurar um otorrino?
Acervo pessoal
Nariz entupido, tontura e rinite: quando procurar um otorrino?

Problemas respiratórios, sinusites recorrentes, rinite alérgica, tontura e dificuldade para respirar pelo nariz estão entre as queixas mais frequentes nos consultórios de otorrinolaringologia. Apesar de comuns, muitos desses sintomas ainda são tratados de forma inadequada, muitas vezes com base em informações incorretas encontradas na internet.

A médica Giuliana Graicer, otorrinolaringologista com residência no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), explica que o diagnóstico correto é fundamental para definir o tratamento mais adequado.

Durante sua formação, a médica teve contato com uma grande variedade de casos clínicos, experiência que reforçou seu interesse pela especialidade. Após concluir a residência, também atuou por um ano como tenente médica no Exército Brasileiro, período que, segundo ela, trouxe aprendizados importantes sobre responsabilidade, disciplina e cuidado com pacientes em diferentes contextos.

Posteriormente, ampliou sua experiência com um período de aperfeiçoamento em otorrinolaringologia no Massachusetts Eye and Ear, hospital afiliado à Harvard Medical School, em Boston.

Segundo a especialista, uma das características que mais a atraem na área é a possibilidade de atender pacientes em todas as fases da vida.

“É uma área muito dinâmica. Atendo pacientes de todas as idades, desde bebês até idosos, mas confesso que tenho um carinho especial pelos pequenos. Acompanhar crianças, ajudar a melhorar a respiração, a audição ou tratar infecções recorrentes e ver o impacto positivo disso no desenvolvimento delas é algo que realmente me motiva”, afirma.

Queixas mais comuns no consultório

Entre os problemas mais frequentes atendidos no consultório estão desvio de septo, rinite alérgica, sinusites recorrentes, amigdalites, ronco e apneia do sono. Alterações do ouvido também aparecem com frequência, principalmente as otites, muito comuns na infância.

Outro sintoma bastante relatado é a dificuldade para respirar pelo nariz ou a sensação constante de nariz entupido, algo que pode impactar diretamente o sono e o bem-estar no dia a dia.

Além disso, muitos pacientes procuram atendimento por causa de tonturas e zumbidos, sintomas que podem ter diferentes origens.

“Muitas pessoas chamam qualquer tontura de ‘labirintite’, mas existem diversos tipos diferentes. Um exemplo bastante comum é a vertigem posicional paroxística benigna, conhecida como VPPB, que acontece quando o paciente muda a posição da cabeça e pode ser tratada com manobras específicas feitas no consultório”, explica.

Sinais Clínicos

Segundo a médica, alguns sinais merecem atenção especial, como dificuldade persistente para respirar pelo nariz, ronco frequente, tonturas recorrentes, perda auditiva súbita ou episódios repetidos de sinusite. Nesses casos, a avaliação especializada é importante para identificar a causa e evitar complicações.

Mitos sobre sinusite e medicamentos

Entre os equívocos mais comuns está a ideia de que toda sinusite precisa ser tratada com antibióticos.

“Em muitos casos a sinusite é causada por vírus ou por processos inflamatórios e o tratamento pode ser diferente. Nem sempre o antibiótico é necessário”, esclarece.

Outro problema frequente é o uso prolongado de descongestionantes nasais sem orientação médica. Embora tragam alívio imediato, o uso contínuo pode provocar o chamado efeito rebote, agravando a obstrução nasal ao longo do tempo.

Cuidados simples ajudam na prevenção

Alguns hábitos simples podem contribuir para manter a saúde do ouvido, nariz e garganta:

  • tratar adequadamente alergias respiratórias;
  • evitar o uso frequente de descongestionantes nasais sem orientação médica;
  • proteger a audição em ambientes com muito ruído;
  • procurar avaliação médica quando sintomas como tontura, zumbido ou perda auditiva persistirem.

Um cuidado bastante recomendado é a lavagem nasal com soro fisiológico, prática que pode ser incorporada à rotina diária.

“Esse é um hábito simples que ajuda bastante na prevenção de diversas doenças do nariz, principalmente em pessoas que têm rinite ou sinusite”, orienta.

Avanços na otorrinolaringologia

A especialidade também evoluiu significativamente nos últimos anos, especialmente no campo cirúrgico.

Hoje existem técnicas cada vez mais modernas e minimamente invasivas, principalmente nas cirurgias nasais e dos seios da face. O uso de endoscopia e tecnologias mais avançadas permite procedimentos mais precisos e com recuperação mais rápida para os pacientes.

Outro avanço importante está na área da audição. Os aparelhos auditivos modernos tornaram-se menores, mais discretos e com melhor qualidade sonora, contribuindo significativamente para a qualidade de vida de pessoas com perda auditiva.

Informação correta faz diferença

Para a especialista, o acesso à informação de qualidade e ao acompanhamento médico adequado é essencial para evitar tratamentos incorretos.

“Muitos sintomas simples podem ter causas diferentes e tratamentos totalmente distintos. Quando o paciente recebe o diagnóstico correto e a orientação adequada desde o início, conseguimos tratar de forma muito mais eficiente”, afirma.

“Informação correta orienta, previne e evita tratamentos inadequados”, conclui. Para a especialista, informação de qualidade e diagnóstico correto são fundamentais para evitar tratamentos inadequados e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

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