A rinoplastia é uma das cirurgias plásticas faciais mais procuradas no mundo. Embora o procedimento seja frequentemente associado a adultos, muitos adolescentes também demonstram interesse em modificar o formato do nariz, seja por razões estéticas, seja por questões funcionais relacionadas à respiração. Especialistas, no entanto, alertam que a cirurgia nessa fase exige critérios médicos rigorosos e avaliação cuidadosa.
De acordo com dados da American Society of Plastic Surgeons (ASPS), a rinoplastia está entre os procedimentos estéticos mais realizados em pacientes jovens e foi responsável por milhares de cirurgias em menores de 19 anos nos últimos anos.
Além disso, entre os procedimentos estéticos realizados em adolescentes, a cirurgia de remodelação nasal é considerada a mais comum em diversas estatísticas internacionais.
Segundo a otorrinolaringologista Dra. Ana Coelho, a possibilidade de realizar o procedimento nessa fase existe, mas depende principalmente do desenvolvimento físico e da maturidade emocional do paciente.
“A rinoplastia em adolescentes pode ser indicada, mas não deve ser feita apenas por pressão estética ou modismos. É essencial que o nariz já tenha completado grande parte do seu crescimento e que o jovem tenha expectativas realistas sobre o resultado”, explica.
Idade mínima e desenvolvimento facial
Um dos principais critérios médicos para indicar a cirurgia é o crescimento da estrutura nasal. O nariz faz parte do desenvolvimento da face e continua se formando durante a adolescência.
Estudos indicam que o crescimento facial costuma estar quase completo por volta dos 15 ou 16 anos nas meninas e entre 16 e 17 anos nos meninos, o que costuma ser considerado o momento mínimo para avaliar a cirurgia estética.
Isso ocorre porque realizar a cirurgia antes da maturidade da estrutura facial pode levar a alterações no resultado ao longo do crescimento.
Outro fator importante é que mais de 90% do crescimento nasal já está concluído por volta dos 15 anos, o que explica por que alguns casos podem ser avaliados nessa idade com acompanhamento especializado.
Ainda assim, muitos especialistas recomendam aguardar até os 18 anos, quando o crescimento facial costuma estar totalmente estabilizado.
Quando a cirurgia pode ser indicada antes dos 18 anos
Apesar das recomendações de cautela, existem situações em que a rinoplastia pode ser indicada mais cedo.
Entre os casos mais comuns estão:
- desvio de septo que prejudica a respiração;
- sequelas de trauma nasal;
- deformidades congênitas;
- alterações estruturais que impactam a qualidade de vida.
Nessas situações, a cirurgia pode ter também um objetivo funcional, ajudando a melhorar a passagem de ar e a saúde respiratória do paciente.
“A rinoplastia não é apenas estética. Em muitos casos, ela pode corrigir problemas respiratórios importantes, melhorando o sono, a prática de atividades físicas e a qualidade de vida do adolescente”, afirma Dra. Ana Coelho.
Influência das redes sociais
Outro ponto que chama atenção dos especialistas é o aumento da procura por cirurgia nasal entre jovens impulsionado pelas redes sociais.
Com filtros digitais e padrões estéticos amplamente divulgados na internet, muitos adolescentes passam a desenvolver insatisfação com a própria aparência.
Pesquisas indicam que mais de 20% dos estudantes adolescentes já demonstraram interesse em realizar rinoplastia, mesmo sem necessidade médica.
Por isso, médicos defendem que a decisão seja tomada com acompanhamento familiar e avaliação psicológica quando necessário.
Expectativas e acompanhamento
A avaliação pré-operatória costuma envolver exames clínicos, análise da função respiratória e estudo da harmonia facial. Também é fundamental discutir expectativas, já que o objetivo da rinoplastia moderna é preservar a naturalidade do rosto.
Segundo especialistas, quando realizada no momento adequado e por profissionais qualificados, a cirurgia pode trazer benefícios tanto estéticos quanto funcionais.
“O mais importante é entender que cada caso é único. A decisão pela rinoplastia deve ser individualizada, baseada em critérios médicos e sempre priorizando a saúde do paciente”, conclui Dra. Ana Coelho.