Lipedema exige olhar metabólico e nutricional
Acervo pessoal
Lipedema exige olhar metabólico e nutricional

O debate sobre saúde feminina ganhou mais espaço nos últimos meses após figuras públicas, como a modelo Yasmin Brunet e a apresentadora Rafa Brites, compartilharem o diagnóstico de lipedema. A repercussão ajudou a ampliar a discussão sobre uma condição crônica que ainda é frequentemente confundida com excesso de peso ou uma questão estética.

O lipedema é uma doença inflamatória do tecido adiposo que afeta principalmente mulheres e envolve fatores hormonais, metabólicos e circulatórios. Por isso, especialistas defendem que o tratamento deve ir além da aparência e considerar o funcionamento do organismo como um todo.

A nutricionista e terapeuta Ayurveda Carol Magno destaca que a ampliação desse debate é importante para que mais mulheres tenham acesso ao diagnóstico correto.

"É importante ampliar a consciência sobre uma condição ainda pouco compreendida. Lipedema é uma condição inflamatória crônica que envolve alteração do tecido adiposo, dor, retenção e comprometimento da microcirculação, com influência hormonal, vascular e metabólica. Não é apenas estética, é fisiologia", explica.

O papel do ambiente metabólico

Segundo a especialista, o controle da doença está diretamente ligado ao chamado ambiente metabólico, ou seja, às condições internas do organismo que influenciam processos como inflamação, retenção de líquidos e resposta hormonal.

"E quando falamos de fisiologia, falamos de ambiente metabólico. A nutrição tem papel relevante porque influencia inflamação sistêmica, resposta glicêmica, saúde intestinal, equilíbrio hormonal e retenção de líquidos. Quando o ambiente inflamatório está exacerbado, há maior tendência a dor, edema e progressão do quadro. Quando esse ambiente é regulado, muitos sintomas podem melhorar", afirma.

Estratégia alimentar individualizada

Na prática, o acompanhamento nutricional envolve ajustes personalizados, considerando o perfil metabólico de cada paciente.

"Na prática isso envolve estratégia alimentar individualizada, com ajuste adequado de carboidratos conforme perfil metabólico, ingestão proteica suficiente para preservação de massa magra, inclusão de nutrientes com ação anti-inflamatória, como o ômega 3, quando indicado, suporte à microbiota intestinal e organização do ritmo alimentar. O corpo responde ao ritmo, e a regularidade influencia diretamente metabolismo e retenção", detalha.

Integração com abordagens complementares

Além da nutrição funcional, a especialista também menciona a contribuição de práticas integrativas, como a Ayurveda, no suporte ao sistema linfático e circulatório.

"Pela Ayurveda, essa leitura também é coerente. O lipedema apresenta sinais de estagnação e retenção, padrões que se relacionam ao agravamento de Kapha e ao acúmulo de Ama, que representam uma digestão e metabolismo que precisam de suporte. O foco é fortalecer o Agni, melhorar a digestão e estimular circulação. Quando há mais eficiência digestiva, há mais fluidez no sistema", pontua.

Nutrição como base do tratamento

O entendimento atual entre especialistas é que a alimentação não deve ser vista apenas como complemento, mas como parte central do manejo da condição.

"A nutrição faz parte da base terapêutica, ajudando a modular a inflamação, a reduzir sintomas e melhorar qualidade de vida. Cada mulher precisa de avaliação individual e, muitas vezes, abordagem multidisciplinar, mas regular o ambiente interno é um passo fundamental", finaliza Carol Magno.

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