
Ter olhos de cores diferentes é uma característica que chama atenção e desperta curiosidade, mas também pode levantar dúvidas sobre saúde. Conhecida como heterocromia, essa condição pode afetar apenas uma íris ou apresentar variações dentro do mesmo olho. Ela pode estar presente desde o nascimento ou surgir ao longo da vida.
Embora muitas pessoas enxerguem a heterocromia apenas como um traço estético, o quadro pode, em algumas situações, estar associado a alterações oculares ou sistêmicas que exigem avaliação médica.
De acordo com o oftalmologista Dr. Antônio Sardinha, do Hospital de Olhos de Cuiabá (HOC), a forma congênita é a mais comum e, na maioria das vezes, não representa risco. “A heterocromia congênita é geralmente inofensiva e ocorre devido à variação na quantidade de melanina nas íris. Nesse caso, não há impacto na visão e não é necessário tratamento”, explica.
A melanina é o pigmento responsável pela coloração dos olhos, da pele e dos cabelos. Diferenças na sua distribuição podem resultar em tonalidades distintas entre as íris ou dentro de uma mesma íris.
Entre as possíveis causas estão doenças inflamatórias, alterações no nervo ocular e até algumas síndromes raras. Por isso, qualquer mudança recente na coloração dos olhos não deve ser ignorada.
Além da observação de sinais visíveis, o acompanhamento oftalmológico regular é fundamental para identificar alterações que nem sempre são percebidas no dia a dia. Muitas condições oculares evoluem de forma silenciosa e só são detectadas por meio de exames específicos.
Mesmo quando não está associada a doenças, a heterocromia evidencia como pequenas variações no organismo podem refletir aspectos da genética e do desenvolvimento individual.
O cuidado com a saúde ocular, portanto, deve fazer parte da rotina, independentemente da presença de sintomas. A avaliação periódica permite diagnóstico precoce e contribui para a preservação da visão ao longo da vida.
