Nutricionista Giovana Aranha
Divulgação | Assessoria
Nutricionista Giovana Aranha

O aumento do consumo de alimentos ultraprocessados vem sendo associado a uma série de impactos no organismo que vão muito além do ganho de peso. Cansaço constante, alterações intestinais, dificuldade de concentração, inflamação persistente e piora da saúde mental estão entre os efeitos cada vez mais observados por especialistas em nutrição e metabolismo.

Hoje, os ultraprocessados representam uma parcela significativa da alimentação dos brasileiros. Dados do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da USP (NUPENS) mostram que mais de 20% das calorias consumidas no Brasil já vêm desse tipo de produto. Entre adolescentes e jovens adultos, esse percentual pode ser ainda maior.

Biscoitos recheados, refrigerantes, embutidos, salgadinhos, refeições congeladas e produtos com excesso de aditivos químicos estão entre os alimentos mais consumidos dentro dessa categoria. O problema, segundo especialistas, não está apenas na quantidade de calorias, mas principalmente na forma como esses produtos interferem no funcionamento do organismo.

Para a nutricionista Giovana Aranha, o corpo humano não foi biologicamente preparado para lidar com um estado inflamatório constante provocado por excesso de produtos industrializados e hábitos alimentares desequilibrados.

“Muitas pessoas vivem cansadas, inchadas, com dificuldade intestinal, alteração de humor e baixa energia sem perceber que a alimentação pode estar participando diretamente desse processo inflamatório”, explica.

Nos últimos anos, estudos científicos passaram a investigar com mais profundidade a relação entre alimentação ultraprocessada e inflamação sistêmica. Pesquisas publicadas em revistas como The BMJ, Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology e Cell apontam associação entre alto consumo desses alimentos e aumento do risco de obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, depressão e alterações metabólicas.

Parte desse impacto acontece no intestino. Hoje, a ciência já reconhece que a microbiota intestinal exerce influência importante não apenas na digestão, mas também na imunidade, no metabolismo e até na saúde mental. “O intestino participa diretamente da comunicação com o cérebro. Quando existe desequilíbrio intestinal, o corpo inteiro sente”, afirma Giovana Aranha.

Estudos recentes mostram que dietas ricas em ultraprocessados podem reduzir a diversidade bacteriana intestinal e favorecer processos inflamatórios silenciosos. Isso interfere na comunicação do eixo intestino-cérebro e na regulação de neurotransmissores importantes, como serotonina e dopamina, relacionados ao humor, sono e bem-estar emocional.

Além disso, muitos ultraprocessados apresentam combinação elevada de açúcar, farinhas refinadas, gorduras vegetais, sódio e aditivos químicos que estimulam consumo excessivo e dificultam mecanismos naturais de saciedade. Dados publicados pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) mostram que o crescimento do consumo de ultraprocessados acompanha o aumento das taxas de obesidade e doenças crônicas em diversos países da América Latina.

Segundo Giovana Aranha, o problema se tornou ainda mais comum por causa da rotina acelerada e da praticidade desses produtos. “As pessoas comem cada vez mais rápido, com menos comida de verdade e mais produtos industrializados. O organismo responde a esse excesso de forma silenciosa e progressiva”, explica.

A inflamação crônica de baixo grau, frequentemente associada a hábitos alimentares inadequados, também vem sendo relacionada a sintomas como fadiga constante, dificuldade de emagrecimento, retenção de líquido, alterações hormonais e piora da qualidade do sono.

Outro ponto importante é que nem sempre os sinais aparecem de forma imediata ou intensa. Em muitos casos, o organismo vai dando pequenos sinais ao longo do tempo.

“Muita gente normaliza viver cansado, estufado ou sem energia. Só que isso não deveria ser entendido como normalidade”, destaca a nutricionista. Especialistas reforçam que alimentação anti-inflamatória não significa seguir dietas extremamente restritivas, mas aumentar o consumo de alimentos naturais e reduzir o excesso de produtos ultraprocessados na rotina.

Frutas, vegetais, proteínas adequadas, fibras, gorduras boas e hidratação adequada estão entre os pilares mais associados à melhora do funcionamento intestinal e metabólico. A prática regular de atividade física, qualidade do sono e redução do estresse também influenciam diretamente os níveis inflamatórios do organismo.

Segundo Giovana Aranha, pequenas mudanças consistentes costumam gerar mais resultado do que mudanças radicais temporárias. “O corpo responde ao equilíbrio e à constância. Saúde não é construída apenas em momentos específicos, mas nos hábitos repetidos todos os dias”, afirma.

O avanço das pesquisas sobre inflamação e microbiota vem mudando a forma como especialistas entendem alimentação e saúde. Hoje, o intestino é considerado um dos principais centros reguladores do organismo, influenciando desde imunidade até funcionamento cerebral. “Quando o corpo vive inflamado por muito tempo, ele começa a perder eficiência em vários sistemas. Alimentação é uma das ferramentas mais importantes para interromper esse ciclo”, conclui Giovana Aranha.

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