
O calor extremo previsto para parte das cidades-sede da Copa do Mundo de 2026 tem imposto um desafio extra aos atletas.
Além da exigência física das partidas, os jogadores precisam lidar com o chamado estresse térmico, condição que pode comprometer o desempenho e até colocar a saúde em risco.
Para minimizar os efeitos do calor, seleções e comissões técnicas apostam em estratégias como hidratação reforçada, pausas para resfriamento e processos de aclimatação.
De acordo com o cirurgião vascular Herik Oliveira, as condições de calor intenso e alta umidade provocam diversas alterações no organismo dos atletas.
“Algumas mudanças ocorrem no corpo do atleta durante uma partida sob alta temperatura e alta umidade. Esse corpo vai sofrer um quadro que nós chamamos de estresse térmico. Ele tem então um superaquecimento, que é uma hipertermia, e, como o suor não consegue evaporar adequadamente, o corpo retém o calor gerado durante o exercício físico, fazendo com que a temperatura central possa subir”, explica.
O especialista destaca que o sistema cardiovascular também é diretamente afetado.
“Há uma sobrecarga cardíaca, ou seja, um aumento da frequência cardíaca para manter a mesma intensidade de esforço. Isso faz com que o organismo desvie grande parte do fluxo sanguíneo para ajudar na regulação da temperatura corporal”, afirma.
Outro impacto é a queda no rendimento físico.
“A fadiga precoce ocorre porque a capacidade de realizar esforço máximo diminui. O atleta cansa mais rápido quando a umidade é superior a 60%, o que leva à redução do desempenho”, ressalta Herik Oliveira.
A desidratação também preocupa.
“A taxa de suor aumenta de forma significativa, provocando a perda de água e eletrólitos, como sódio e potássio, o que aumenta o risco de cãibras musculares”, diz.
Em situações mais severas, podem surgir quadros de exaustão pelo calor e insolação, acompanhados de sintomas como tontura e mal-estar.
Para reduzir esses riscos, a FIFA tem adotado pausas obrigatórias para hidratação durante as partidas disputadas sob calor intenso.
Segundo o médico, a medida é essencial para a reposição de líquidos e sais minerais perdidos durante o esforço físico.
“As pausas permitem a hidratação com eletrólitos, por meio de água e bebidas isotônicas que contêm sódio, potássio e carboidratos.
Além das pausas, as equipes têm investido em roupas mais leves, estratégias de resfriamento antes e após os jogos e no processo de aclimatação.
“A aclimatação reduz os riscos e também melhora o desempenho. O tempo médio varia de sete a 14 dias. Esse é o período necessário para que o corpo se adapte fisiologicamente à exposição gradual ao calor, aumentando a taxa de suor, reduzindo a perda de eletrólitos e diminuindo a temperatura corporal central”, afirma.
A preocupação não é apenas com o calor.
A Copa de 2026 está sendo disputada em três países, com diferenças significativas de clima e altitude.
Algumas cidades podem registrar temperaturas acima de 30°C, enquanto outras, como a Cidade do México, estão localizadas em regiões de elevada altitude.
Para Herik Oliveira, a adaptação às diferentes condições ambientais será determinante para o sucesso das seleções ao longo do torneio.
“Os jogadores podem sofrer variações térmicas importantes, desde partidas disputadas em locais muito quentes até jogos realizados em cidades de alta altitude. Por isso, técnicas de hidratação individualizada e de resfriamento são fundamentais para garantir uma boa adaptação e manter a termorregulação adequada durante a competição”, conclui.
