
Agachar, levantar da cadeira ou simplesmente dobrar a perna e ouvir um estalo no joelho pode causar preocupação.
O barulho é relativamente comum e nem sempre significa que exista uma lesão.
Em algumas situações, ele está relacionado ao próprio funcionamento da articulação, ao movimento de determinadas estruturas ou à formação e liberação de pequenas bolhas de gás no líquido articular.
A presença de outros sintomas é o que merece maior atenção.
Dor, inchaço, dificuldade para movimentar a perna ou sensação de instabilidade podem indicar que o ruído precisa ser investigado.
Segundo o ortopedista Dr. Pedro Ribeiro, avaliar as circunstâncias em que o estalo aparece é fundamental para entender se existe algum problema.
“O estalo isolado, sem dor, inchaço, bloqueio ou perda de função, geralmente não é motivo para preocupação. O que chama a atenção é quando esse barulho aparece junto com outros sintomas ou surge depois de um trauma”, explica.
Por que o joelho estala?
A articulação do joelho é formada por diferentes estruturas que trabalham em conjunto para permitir os movimentos.
Ossos, cartilagens, ligamentos, tendões e meniscos participam desse mecanismo e alterações na forma como essas estruturas se movimentam podem provocar ruídos.
“Existem diferentes situações capazes de produzir estalos. Eles podem ocorrer por alterações na movimentação da patela, por tendões que deslizam sobre estruturas ósseas ou por problemas envolvendo meniscos e cartilagem. Por isso, não é possível determinar a causa apenas pelo som”, afirma Ribeiro.
Isso significa que dois pacientes que relatam estalos semelhantes podem apresentar situações completamente diferentes.
Por esse motivo, o barulho isoladamente não é suficiente para estabelecer um diagnóstico.
Quando o estalo merece investigação?
Um dos principais sinais de alerta é a presença de dor.
“Quando o paciente relata dor, aumento de volume ou sensação de instabilidade, precisamos entender o que está acontecendo dentro da articulação. Um estalo acompanhado desses sintomas pode estar relacionado a uma lesão ou alteração que merece tratamento”, ressalta o especialista.
Também é importante observar quando o problema começou.
Um estalo que surge durante ou logo após uma torção, queda ou outro trauma merece atenção especial.
Em atividades esportivas, por exemplo, uma torção seguida de estalo, principalmente quando há dor imediata, inchaço ou dificuldade para continuar o exercício, pode estar relacionada a lesões ligamentares ou meniscais.
Ressonância é necessária em todos os casos?
Nem sempre. Segundo Dr. Pedro Ribeiro, a investigação começa pela história relatada pelo paciente e pelo exame físico.
Exames de imagem podem ser solicitados quando existe indicação clínica.
“A avaliação clínica é fundamental. A ressonância magnética, por exemplo, pode ser útil em determinadas situações, mas não deve ser interpretada de forma isolada. O exame precisa ser relacionado aos sintomas e aos achados do exame físico”, afirma.
A análise conjunta dessas informações permite identificar se o estalo representa apenas uma característica do movimento daquela articulação ou se existe alguma alteração que precisa ser acompanhada.
Todo joelho que estala precisa de tratamento?
A resposta também depende da causa. Em muitos casos, principalmente quando existe indicação de intervenção conservadora, fisioterapia e exercícios direcionados ao fortalecimento e ao controle dos movimentos podem ser suficientes.
Procedimentos como medicamentos, infiltrações ou cirurgias não são necessários simplesmente porque existe um ruído na articulação.
A cirurgia fica reservada para situações específicas, de acordo com o diagnóstico e o comprometimento funcional apresentado pelo paciente.
“Nem todo joelho que estala precisa de medicamento, infiltração ou cirurgia. O mais importante é descobrir por que aquele estalo está acontecendo e se existe alguma alteração associada. Quando há indicação de tratamento, o objetivo é recuperar a função, reduzir os sintomas e evitar a progressão do problema”, conclui Dr. Pedro Ribeiro.
Por isso, ouvir um estalo ocasional sem qualquer outro sintoma não significa necessariamente que algo esteja errado.
A atenção deve aumentar quando o barulho passa a ser acompanhado de dor, inchaço, travamento, instabilidade, dificuldade para apoiar a perna, limitação dos movimentos ou quando surge após um trauma.
Nesses casos, a avaliação ajuda a identificar a origem do problema e definir se algum tratamento é necessário.
