
A Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) ainda é pouco conhecida por parte da população, apesar dos efeitos da exposição pré-natal ao álcool serem estudados há décadas.
A condição pode provocar alterações permanentes no desenvolvimento e reforça um alerta importante: durante a gestação, o consumo de bebidas alcoólicas pode trazer riscos ao bebê.
O tema ganhou atenção especial em 9 de setembro, data dedicada à conscientização sobre os Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal.
A escolha do dia 9 faz referência aos nove meses de gestação e busca ampliar a informação sobre uma condição que pode ser prevenida evitando a exposição ao álcool durante a gravidez.
Segundo Maíra Mussum, diretora e coordenadora do projeto Salvando a Vidas, pesquisas relacionadas aos efeitos do álcool na gestação existem há décadas.
Para ela, porém, ainda há uma distância significativa entre o conhecimento disponível e as informações que chegam às famílias.
“A Síndrome Alcoólica Fetal existe e, por falta de informação, muitas crianças têm nascido com transtornos mentais e sintomas parecidos com autismo. Precisamos furar essa bolha, precisamos levar informação”, afirma.
A SAF pode estar associada a alterações físicas, cognitivas e comportamentais.
Sintomas ou características semelhantes aos encontrados em outras condições do neurodesenvolvimento, isoladamente, não são suficientes para estabelecer o diagnóstico.
Informação é fundamental para prevenção
Um dos pontos defendidos por Maíra é a necessidade de combater informações equivocadas que ainda circulam sobre o consumo de bebidas alcoólicas durante a gestação.
“O álcool não sai pela urina. Isso é um mito”, afirma.
Quando uma gestante consome álcool, a substância alcança o feto através da placenta.
Como não existe uma quantidade de álcool estabelecida como segura durante a gravidez, a recomendação de saúde é evitar seu consumo ao longo da gestação.
Para Maíra, essa informação precisa chegar às mulheres e às famílias antes mesmo de existir qualquer suspeita de SAF.
A prevenção está diretamente relacionada ao acesso a orientações claras sobre os riscos da exposição pré-natal ao álcool.
A discussão também envolve a proteção de quem ainda não pode tomar decisões sobre a própria exposição.
O feto não tem possibilidade de escolha ou de manifestar sua vontade, tornando a prevenção uma responsabilidade dos adultos envolvidos e também uma questão de conscientização coletiva.
Famílias também precisam de suporte
Além das consequências que podem acompanhar a criança ao longo da vida, Maíra chama atenção para os desafios enfrentados pelas famílias responsáveis pelos cuidados.
Dependendo das necessidades de cada criança, podem ser necessários acompanhamento profissional e suporte contínuo.
Para algumas famílias, conciliar os cuidados, o trabalho e a vida cotidiana pode se tornar especialmente difícil quando não existe uma rede de apoio adequada.
Por isso, Maíra considera que a discussão não deve terminar na prevenção.
Ela também defende atenção às políticas públicas e à assistência destinada às famílias.
“É muita criança nascida doente. A pergunta é: será que vai ter LOAS? O INSS vai ter dinheiro para manter a mãe e essa criança? Porque a criança com SAF, a mãe não pode trabalhar, não tem com quem deixar”, questiona.
Data ainda busca maior visibilidade
Maíra também lamenta a pouca repercussão que percebeu em torno do 9 de setembro neste ano.
Para a diretora do Salvando a Vidas, dar visibilidade à data é uma maneira de ampliar o conhecimento sobre a condição, combater mitos e fazer com que informações sobre prevenção alcancem um número maior de pessoas.
“Precisamos furar essa bolha”, reforça.
O alerta transforma a conscientização sobre a Síndrome Alcoólica Fetal em uma discussão que vai além de uma única data.
Informação durante a gestação, prevenção da exposição ao álcool, diagnóstico adequado e suporte às famílias são diferentes partes de uma questão que pode acompanhar crianças e responsáveis por toda a vida.
* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal iG