
A aproximação do Enem e dos vestibulares costuma aumentar a pressão sobre os estudantes.
A preocupação com a nota, o medo de não conseguir a vaga desejada e a quantidade de conteúdos que ainda precisam ser revisados podem trazer ansiedade, dificuldade de concentração e alterações no sono.
Para Maria Clotildes Gonzaga, coordenadora pedagógica da Maple Bear Brasília, essa reação tem relação também com o peso que os processos seletivos acabam assumindo na vida dos jovens.
“O estudante pode passar anos construindo conhecimentos, desenvolvendo pensamento crítico, autonomia e capacidade de resolver problemas, mas chega ao fim da educação básica com a sensação de que precisa demonstrar tudo isso em uma prova específica, em um determinado dia”, explica.
A ansiedade em excesso pode afetar justamente as habilidades necessárias durante uma prova.
Sob estresse, o estudante pode ter mais dificuldade para manter a concentração, organizar o raciocínio e acessar conhecimentos que já domina.
Por isso, aumentar as horas de estudo nem sempre significa estar mais preparado.
Tentar retomar tudo ao mesmo tempo pode aumentar a sensação de que não há tempo suficiente.
Segundo Maria Clotildes, a reta final é mais adequada para consolidar conhecimentos do que para tentar aprender todo o conteúdo novamente.
“O estudante já construiu grande parte do seu repertório ao longo da vida escolar. É um momento para retomar conteúdos, revisar conceitos e ganhar segurança naquilo que já foi construído.”
Estudar mais nem sempre significa estudar melhor
Passar mais horas estudando não significa necessariamente aproveitar melhor o tempo.
Dormir bem ajuda a manter a concentração, enquanto refeições regulares e pausas ao longo do dia evitam que o cansaço se acumule.
Atividades físicas e momentos de lazer também podem continuar fazendo parte da rotina.
A preparação para uma prova extensa exige disposição, e deixar essas necessidades de lado para estudar sem parar pode acabar prejudicando o rendimento.
Notas de simulados, quantidade de horas estudadas e desempenho dos colegas também podem gerar comparação e insegurança.
Cada aluno, porém, tem uma trajetória, um ritmo de aprendizagem e dificuldades diferentes.
“É comum olhar para o colega e pensar que deveria estar estudando mais ou tendo um desempenho melhor. Mas essa comparação não considera a realidade de cada pessoa. É mais produtivo acompanhar a própria evolução”, afirma a coordenadora.
Antecipe os detalhes do dia da prova
Algumas preocupações podem ser resolvidas antes mesmo de chegar ao local do exame.
Conhecer o endereço, conferir o trajeto, separar os materiais necessários e programar o horário de saída ajudam a evitar correria e novas fontes de tensão no dia.
A preparação emocional, no entanto, não começa apenas quando o vestibular se aproxima.
Para Maria Clotildes, a própria experiência escolar contribui para que o aluno aprenda a lidar com desafios, frustrações e expectativas.
“A entrada na universidade é uma etapa importante, mas é apenas uma das muitas que o estudante ainda vai enfrentar. O vestibular não precisa representar uma única oportunidade de sucesso ou fracasso, mas um momento dentro de uma trajetória muito maior”, conclui.
* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal iG