Roberta Nuñez

Siso dói, mas nem sempre precisa ser extraído, explica dentista

Flávio Pinheiro esclarece quando a cirurgia é necessária, quais sinais exigem atenção e os cuidados durante a recuperação

Siso dói, mas nem sempre precisa ser extraído, explica dentista
Foto: Canva
Siso dói, mas nem sempre precisa ser extraído, explica dentista

Dor no fundo da boca, gengiva inchada e dificuldade para mastigar costumam levantar uma suspeita: será que chegou a hora de arrancar o siso?

Apesar de ser uma associação comum, sentir dor não significa necessariamente que o terceiro molar precise ser retirado.

A decisão depende da posição do dente, da origem dos sintomas e das condições de saúde bucal de cada paciente.

Segundo o cirurgião-dentista Flávio Pinheiro, a extração costuma ser indicada quando o siso apresenta complicações ou risco elevado de desenvolvê-las.

Entre as situações estão falta de espaço para nascer corretamente, dentes inclusos ou parcialmente erupcionados, infecções recorrentes, cáries, doenças periodontais, formação de cistos e danos aos dentes vizinhos.

A avaliação odontológica pode incluir exames de imagem para verificar a posição do dente, o formato das raízes e sua proximidade com estruturas importantes da boca.

Por que o siso pode doer mesmo sem ter nascido?

O siso não precisa estar totalmente visível para causar desconforto.

Quando nasce apenas parcialmente, parte de sua superfície pode permanecer coberta pela gengiva, favorecendo o acúmulo de alimentos e bactérias.

Essa situação pode provocar uma inflamação chamada pericoronarite.

Dentes inclusos, que permanecem dentro do osso ou sob a gengiva, também podem estar associados a alterações que exigem investigação.

Por isso, a intensidade da dor não deve ser o único critério para decidir pela cirurgia.

Em determinadas situações, é possível tratar o problema sem remover o dente.

Em outras, a extração pode ser necessária para evitar a repetição das complicações.

É necessário retirar os quatro sisos?

Não existe uma regra que determine a retirada obrigatória dos quatro terceiros molares.

Quando o siso está bem posicionado, nasceu completamente, participa adequadamente da mastigação, não apresenta doenças e permite uma boa higienização, ele pode permanecer na boca.

Mesmo nesses casos, o acompanhamento odontológico continua importante para identificar possíveis mudanças ao longo do tempo.

A avaliação pode começar ainda na adolescência ou no início da vida adulta, período em que o desenvolvimento dos terceiros molares costuma ser acompanhado.

Entretanto, a idade não determina sozinha a necessidade da extração.

A posição do dente interfere na cirurgia?

A complexidade do procedimento varia de acordo com as características de cada siso.

Um dente totalmente erupcionado e de fácil acesso pode ter uma remoção relativamente simples, enquanto dentes inclusos, inclinados ou próximos de nervos exigem planejamento mais cuidadoso.

Exames de imagem ajudam o cirurgião-dentista a avaliar essas condições e identificar possíveis riscos antes da intervenção.

Também é possível retirar os quatro sisos em um único procedimento, dependendo da saúde do paciente e da complexidade das extrações.

Embora essa escolha possa concentrar a recuperação em um único período, ela não é indicada automaticamente para todas as pessoas.

Quais sintomas exigem atenção após a extração?

Dor, inchaço e dificuldade para abrir a boca ou mastigar podem ocorrer nos primeiros dias depois da cirurgia.

A intensidade depende de fatores como a posição do dente, a manipulação dos tecidos e a existência de inflamação anterior.

O principal ponto de atenção é a evolução dos sintomas.

Quando a dor aumenta depois de alguns dias, especialmente acompanhada de mau cheiro, gosto desagradável, febre, secreção, sangramento persistente ou piora do inchaço, é necessário procurar avaliação odontológica.

Uma das possíveis complicações é a alveolite, condição que pode provocar dor intensa após a extração.

Os cuidados nas primeiras 72 horas

O período inicial de recuperação exige atenção às orientações do profissional.

Esforços físicos, bochechos vigorosos e o hábito de cuspir repetidamente devem ser evitados, pois podem prejudicar a formação e a manutenção do coágulo que protege o local operado.

A alimentação geralmente precisa ser adaptada, com preferência por alimentos macios e temperaturas adequadas à orientação recebida.

A higiene bucal deve continuar, respeitando os cuidados necessários na região da cirurgia.

O cigarro também deve ser evitado, já que pode comprometer a cicatrização e aumentar o risco de complicações.

E quando o siso está inflamado?

A presença de inflamação ou infecção pode modificar o planejamento da extração.

Dependendo da intensidade do quadro, o dentista pode recomendar o controle inicial do problema antes de realizar a cirurgia.

Em outras situações, a própria remoção do dente pode integrar o tratamento, desde que existam condições clínicas adequadas.

Para Flávio Pinheiro, o ponto principal é que a decisão não deve ser automática.

Um siso dolorido nem sempre precisa ser extraído, assim como a ausência de sintomas não garante que esteja livre de problemas.

A avaliação individualizada permite identificar a causa das alterações e escolher a conduta mais adequada, evitando tanto procedimentos desnecessários quanto o adiamento de tratamentos importantes.

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal iG