
O Brasil está entre os maiores mercados de cirurgia plástica do mundo.
Segundo levantamento da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), o país registrou aproximadamente 2,3 milhões de procedimentos cirúrgicos estéticos em 2025, ocupando a liderança mundial nessa categoria.
Entre as intervenções procuradas estão aquelas destinadas a modificar o contorno corporal, como a lipoaspiração e a abdominoplastia.
Mas uma questão começa a fazer parte dessa discussão: até que ponto um corpo precisa ser marcado para ser considerado definido?
O conceito de um contorno corporal elegante considera a proporção entre as diferentes regiões do corpo, a distribuição dos volumes e a preservação das características anatômicas.
A proposta não é eliminar a definição, mas evitar que ela se torne incompatível com a estrutura natural do paciente.
Para o Dr. Bruno Zirmmermann, especialista da JK Estética Avançada, o planejamento cirúrgico precisa considerar aspectos que nem sempre são perceptíveis em fotografias de referência.
Qualidade da pele, musculatura, gordura localizada e histórico de emagrecimento interferem diretamente no resultado possível.
Uma das abordagens utilizadas pela clínica é a LAD Avançada JK, modalidade de lipoaspiração de definição que associa tecnologias para trabalhar a gordura localizada e valorizar o desenho corporal.
A proposta é buscar contornos proporcionais, considerando as particularidades de cada paciente e a possibilidade de combinar diferentes recursos quando existe indicação.
Retirar gordura nem sempre é suficiente
Uma das dúvidas frequentes de quem procura melhorar o contorno corporal está relacionada à diferença entre gordura localizada e flacidez.
Embora as duas condições possam aparecer juntas, elas não são tratadas da mesma maneira.
A lipoaspiração permite retirar depósitos de gordura de regiões específicas, como abdômen, cintura e costas.
Entretanto, sua capacidade de modificar o contorno depende também da elasticidade da pele.
Quando existe excesso cutâneo importante, a redução do volume de gordura pode não resolver a queixa estética.
Isso acontece, por exemplo, com pessoas que passaram por emagrecimento significativo ou apresentam alterações abdominais após a gestação.
Mesmo com menor quantidade de gordura, a pele pode permanecer distendida, formando dobras que interferem na aparência da região.
Nessas situações, a abdominoplastia pode ser indicada para retirar o excesso de pele e, quando necessário, tratar alterações da parede abdominal.
A associação com a lipoaspiração pode ser considerada em determinados casos.
O papel da tecnologia na definição corporal
O desenvolvimento de equipamentos e técnicas de contorno corporal ampliou as possibilidades de planejamento cirúrgico.
Recursos como vibrolipoaspiração, cânulas específicas e ultrassom aplicado ao tecido adiposo podem auxiliar o trabalho do cirurgião durante a retirada de gordura.
Outra possibilidade é a enxertia de gordura, utilizada para modificar volumes e valorizar determinadas regiões.
Entre as técnicas descritas para esse objetivo está o UGraft, que utiliza tecido adiposo do próprio paciente para trabalhar relevos corporais conforme a indicação médica.
A escolha do local de aplicação, da quantidade de gordura e do plano anatômico exige cuidados específicos, pois a enxertia também apresenta riscos.
Por isso, a associação de procedimentos não deve ser determinada apenas pelo desejo de obter músculos mais evidentes.
Para o especialista, o resultado precisa ser pensado a partir da anatomia e das necessidades de cada paciente.
Uma pessoa com boa elasticidade da pele e gordura localizada pode ter uma indicação diferente daquela que apresenta flacidez acentuada, mesmo que ambas desejem melhorar o abdômen.
Naturalidade também depende de expectativas realistas
A busca por definição corporal envolve compreender que nem todas as referências estéticas podem ser reproduzidas por meio de cirurgia.
Espessura da pele, estrutura óssea, musculatura e distribuição de gordura influenciam as possibilidades de contorno.
Além disso, a recuperação faz parte do resultado. Inchaço, cicatrização e adaptação dos tecidos ocorrem ao longo do pós-operatório, e a evolução pode variar conforme a extensão da intervenção e os procedimentos associados.
O acompanhamento médico, a estabilidade do peso e os cuidados recomendados são importantes nesse processo.
O conceito de elegância corporal, portanto, não está necessariamente associado a um abdômen muito marcado ou a uma cintura extremamente fina.
A definição pode ser planejada de maneira proporcional, levando em consideração a qualidade da pele e o equilíbrio entre diferentes regiões.
Em um mercado no qual as opções de técnicas e tecnologias são cada vez mais variadas, a principal discussão passa a ser como utilizá-las de maneira individualizada.
Para o Dr. Bruno, o planejamento deve conciliar o desejo de melhorar o contorno com as características naturais do corpo, sem deixar de considerar a segurança e as limitações de cada procedimento.
* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal iG