Tamanho do texto

Pela primeira vez em dois anos, governo sul-coreano envia arroz e macarrão para cidades da Coreia do Norte

A Coreia do Sul enviou nesta segunda-feira seu primeiro carregamento de arroz em mais de dois anos à rival Coreia do Norte e disse que aceitaria manter um diálogo mensal, caso o governo norte-coreano se comprometa a abrir mão de seu arsenal nuclear.

Reuters
Navio com ajuda alimentar é visto no porto de Incheon, na Coreia do Sul
Nesta segunda-feira, um navio cargueiro com 5 mil toneladas de arroz financiado pelo governo sul-coreano deixará o porto de Gunsan com destino à cidade chinesa de Dandong, que fica na fronteira com a Coreia do Norte. Outro navio deve zarpar de Incheon com destino a Dandong levando 3 milhões de pacotes de macarrão instantâneo.

No mês passado, caminhões com arroz doado por particulares foram enviados à Coreia do Norte, onde graves inundações agravaram os problemas alimentares do miserável país de 23 milhões de habitantes.

A Coreia do Norte recentemente manifestou a intenção de retomar o processo multilateral de desnuclearização, após um hiato de dois anos, o que analistas veem como um reflexo das sanções da ONU ao país.

Coreia do Sul e Estados Unidos rejeitam a ideia de retomar as negociações por enquanto, pois dizem que antes disso o Norte deveria assumir a responsabilidade pelo naufrágio da corveta sul-coreana Cheonan, em março, que matou 46 marinheiros. A Coreia do Norte nega envolvimento no incidente.

A tensão começou a diminuir nos últimos dois meses e o Sul decidiu voltar a enviar ajuda alimentar e material de construção. Os dois Estados também mantiveram reuniões em âmbito militar e aceitaram retomar os programas de reuniões familiares.

Kim Young-sun, porta-voz da chancelaria sul-coreana, disse que Seul cogitaria a retomada do processo multilateral de diálogo se o Norte demonstrar na prática sua disposição de abrir mão de armas nucleares.

Ele fez essa declaração após notícias de que o negociador nuclear da China, Wu Dawei, teria proposto durante visitas ao Japão e aos EUA, em agosto e setembro, que fossem realizadas reuniões mensais envolvendo os seis participantes do processo - EUA, China, Rússia, Japão e as duas Coreias.

Washington diz que a retomada depende da melhoria das relações intercoreanas, e cobra do Norte "indicações concretas" de que irá implementar um acordo de desarmamento nuclear, de 2005.

Nesta segunda-feira, o Rodong Sinmun, principal jornal norte-coreano, disse que Seul "deveria evitar a colocação deliberada de obstáculos e dificuldades no caminho da melhoria das relações intercoreanas, que viciam a atmosfera do diálogo".

Com Reuters