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Dados do Ministério da Saúde mostram que baixo peso diminuiu, mas situação ainda é preocupante em algumas regiões

A taxa de crianças desnutridas no Brasil caiu 62% em cinco anos. Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2003 – quando o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional começou a verificar esses índices mais de perto –, as crianças menores de cinco anos com baixo peso representavam 12,5% da população nessa faixa etária. Em 2008, o número caiu para 4,8%.

O déficit de altura por idade também diminuiu: baixou de 20% para 14% no mesmo período. A análise do ministério é feita com base nos usuários atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O monitoramento anual das crianças com até dez anos de idade faz parte da Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN), que completa uma década este ano. Atualmente, 4,5 milhões são acompanhadas pelo SUS.

Apesar da queda, os dados mostram que a situação ainda é preocupante em algumas regiões. O Norte e o Nordeste apresentam os índices mais altos de desnutrição, mesmo com a queda maior tendo ocorrido em estados das duas regiões.

“Por trás das médias, ainda se escondem realidades especificas.Precisamos trabalhar melhor com as populações mais vulneráveis, que não tinham vínculos com o serviço de saúde. O nosso gargalo ainda é a região Norte. Temos de o sistema às dificuldades de acesso às comunidades e, nos grandes municípios, temos de traçar estratégias diferenciadas como nas áreas que sofrem com a violência”, ressalta Eduardo Augusto Nilson, da Coordenação Geral da Política de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde.

A região Norte tinha, em 2003, uma taxa acima de 14% de desnutrição infantil e o Nordeste, entre 11% e 14%, variando de acordo com o estado. Em 2008, ambas passaram para a faixa entre 5% e 8%. Quanto à baixa estatura, as taxas caíram de 34,5% para uma faixa entre 18,5% e 26% no Norte. E no Nordeste, de 34,5% para a faixa que varia entre 11% e 18,5%.

Ações

O ministério atribui a redução dos índices de desnutrição da população infantil a algumas políticas adotadas em todos os estados. A partir da análise das carências nutricionais feitas pelas equipes de saúde, são distribuídos aos pacientes xaropes e comprimidos de sulfato ferroso, vitamina A e ácido fólico (para as gestantes).

Eduardo defende que a expansão do Programa Saúde da Família foi essencial para melhorar os resultados. As equipes que acompanhavam 31,3% dos habitantes da região Norte (4,2 milhões de pessoas), em 2003, hoje acompanham 50,8%, (7,7 milhões de cidadãos). No Nordeste, a cobertura era de 50,5% em 2003 e passou para 71,6% em 2010. O atendimento saltou de 24,6 milhões para 38 milhões de habitantes nesse período.

“Estamos vivendo uma transição nutricional. Ainda vivenciamos a desnutrição e, ao mesmo tempo, o excesso de peso da população tem aumentado. Isso mostra que precisamos manter as ações e reforçar o combate à obesidade”, afirma.

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