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Surto de infecção hospitalar é causado por três bactérias, nenhuma superresistente. Falta de insumos e de pessoal agrava crise

A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal de um dos hospitais públicos de referência no atendimento a gestantes e crianças de Brasília passa por um surto de infecção hospitalar. Desde outubro, 11 bebês prematuros morreram vítimas de infecções por três tipos diferentes de bactérias. Só nos primeiros dez dias de novembro, seis mortes já foram registradas. O número é superior ao total do mês passado.

Alberto Henrique Barbosa, diretor do Hospital Regional da Asa Sul (HRAS), onde as crianças morreram, esclarece que o risco de contaminação por bactérias em uma UTI é inerente à internação. Ele ressalta que os bebês estão em condições frágeis de saúde e pouco resistentes. O médico garante que as três bactérias responsáveis pelas mortes – Estafilococos, Klebsiella e Serratia – não são superresistentes e podem ser tratadas.

“Não há contaminação pela KPC ( superbactéria que matou pelo menos 18 pessoas em Brasília este ano ) no hospital. Essas são outras bactérias, suscetíveis a tratamento e relativamente comuns em UTIs. São graves, mas não como a KPC. A condição de imunidade do recém-nascido é ruim e passamos pelos problemas de superlotação, falta de insumos e de pessoal”, afirma.

Atualmente, a UTI Neonatal do hospital atende entre 36 e 40 bebês, apesar de a capacidade máxima ser de 45 leitos. Barbosa explica que faltam equipamentos e profissionais para que o atendimento atinja a capacidade máxima. Pelo menos mais 30 médicos e enfermeiros seriam necessários – além dos 36 atuais – para dar cuidar do total de pacientes possíveis.

Por causa do surto, o HRAS decidiu reduzir o atendimento ainda mais. Apenas 30 bebês estão hoje na UTI, segundo informou ao iG o diretor do hospital. Seis bebês estão isolados porque estão infectados pelas bactérias ainda. Segundo Alberto, a equipe espera que os medicamentos façam efeito. Enquanto a incidência de infecção não diminuir, as gestantes em situações mais graves serão atendidas no HRAS. O restante será transferido para outros hospitais da rede hospitalar do Distrito Federal.

“Os bebês que estão na UTI são muito prematuros e a chance de não sobreviverem naturalmente é grande. Mas nossa preocupação é faltar insumos para atendê-los e atingir níveis inaceitáveis de óbitos (que seria de dois a três bebês por mês)”, admite Barbosa. Segundo ele, faltavam cateteres especiais, soros específicos, sondas, esparadrapos especiais. Antibióticos o médico garante que não falta. “Faltam cerca de 10% dos insumos que precisamos agora e esperamos recebê-los até terça-feira”, afirma.

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