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Nesta quinta-feira, dia 12, o ex presidente norte-americano Bill Clinton, 64 anos, passou por um procedimento cirúrgico chamado ¿stent¿. Atualmente, existem dois tipos dessa técnica: a mais moderna, utilizada em 60% dos casos nos Estados Unidos, foi introduzida pelo médico brasileiro José Eduardo Sousa, cirurgião formado em Recife e que estudou o método em 1999.

A colocação de stent é um procedimento realizado na sala de hemodinâmica e não há necessidade de abrir o peito do paciente, como na colocação de safenas. Dependendo da extensão da lesão, os médicos podem levar de 40 minutos a duas horas.


O cardiologista e diretor clínico do Hospital Edmundo Vasconcelos, em São Paulo, Antoninho Arnoni, explica: Os médicos inserem um cateter dentro da artéria, que leva o stent até o local. A artéria é dilatada e o stent ¿ que é como uma rede de metal ¿ impede que a artéria volte a fechar.

Convencional e revestido
A diferença entre um stent e outro é que um é revestido por medicamento e o outro não. A técnica com remédios é mais segura na proteção das artérias porque diminui os riscos de complicações pós-cirurgia. Marcelo Sampaio, cardiologista do Instituto Dante Pazzanesse ¿ hospital onde Sousa já atuou e uma das referências nacionais do procedimento ¿ explica que as hastes colocadas no coração para retirar as placas de gordura (as responsáveis pelos enfartes) liberam automaticamente medicamentos. É o que chamamos de terceira geração de stents. O Brasil é grande exportador desta tecnologia para o mundo, afirma Sampaio.

Noedir Stolf, cirurgião cardíaco e presidente do Conselho Diretor do Instituto do Coração (Incor), pondera que os benefícios do stent farmacológico são centrados nos riscos de novos entupimentos. Mas há possibilidade maior de trombose e também da necessidade de outros procedimentos cirúrgicos, ampliadas em até cinco vezes, afirma. Por vezes, a melhor opção é a ponte de safena ou o stent convencional.

A evolução
O histórico da intervenção cirúrgica e não cirúrgica para proteger o coração começou em 1977, inventada na Suíça. Primeiro, quando as coronárias estavam entupidas, a dilatação das artérias para evitar os enfartes era feita pela colocação de uma espécie de balão. As complicações após a cirurgia, entretanto, apareciam em 60% dos casos.

Depois foi a vez dos stents simples. Placas metálicas milimétricas, com menos de 3.5 milímetros de diâmetro, eram colocadas nas coronarianas, formando uma rede de proteção. Mais seguro, este procedimento só provoca complicações em 20% dos casos, quando no processo de cicatrização, as coronárias poderiam ficar novamente obstruídas.

Em 1999, veio a invenção do stent revestido por medicamento, o farmacológico. O risco de complicação é inferior a 5%. É a grande modernidade do ramo da cardiologia Brasileira, afirma o cardiologista da comissão científica da Sociedade Paulista de Cardiologia de São Paulo, Pedro Lemos. O Brasil é referência nesse ramo da cardiologia.

Mas como o Sistema Único de Saúde (SUS) ainda não reembolsa o procedimento,  nos hospitais públicos brasileiros não é utilizado.
As panes cardíacas são líderes de causa de morte de homens e mulheres em vários países. A cirurgia pode ser realizada depois que o problema aparece ou de forma preventiva, como foi o caso recente de Clinton.

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