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Médicos ainda não encontraram remédio apropriado e temem epidemia global

Um novo tipo de bactéria resistente aos antibióticos mais poderosos pode gerar uma epidemia mundial, segundo estudo divulgado nesta quarta-feira, dia 11, na revista médica britânica Lancet.

Essas bactérias contêm um gene chamado NDM-1, que as torna resistentes a antibióticos, entre eles os que pertencem ao grupo de 'carbapenem', considerados os remédios mais fortes e, atualmente, a última tentativa em tratamentos de emergência contra bactérias resistentes a antibióticos.

A enzima chamada de NDM-1 foi identificada pela primeira vez em 2009 pelo professor Timothy Walsh, da Universidade de Cardiff, em dois tipos de bactéria – Klebsiella pneumoniae e E. coli (que causa infecções urinárias)– em um paciente sueco internado em um hospital da Índia.

Até agora, a maior parte das infecções com micróbios com o gene NDM-1 são passíveis de tratamento. No entanto, os médicos alertam: "Se estas infecções continuarem sem o tratamento apropriado, com certeza podemos esperar algum tipo de mortalidade", declarou Walsh, professor de microbiologia, à rádio BBC. "Vai ser muito difícil tratar as infecções nos pacientes com este tipo de bactéria".

Ásia

No estudo, coordenado por Walsh e pela Universidade Karthikeyan Kumarasamy de Madras, os cientistas tentaram determinar a presença da NDM-1 no sul da Ásia e no Reino Unido. Examinando pacientes com sintomas suspeitos em hospitais, eles detectaram 44 casos – 1,5% dos pesquisados – em Chennai, e 26 (8% dos pesquisados) em Haryana, cidades da Índia.

Também encontraram a superbactéria em Bangladesh e no Paquistão, assim como 37 casos na Grã-Bretanha, alguns em pacientes que haviam retornado recentemente de cirurgias estéticas na Índia e Paquistão.

"A Índia também é responsável por cirurgias estéticas de outros cidadãos europeus e americanos, e é provável que a NDM-1 se espalhe pelo mundo", afirma o estudo, publicado na na revista médica britânica Lancet.

Alerta

O Ministério da Saúde britânico já emitiu um alerta para que hospitais do país fiquem atentos a casos de infecção com essas bactérias. Infecções deste tipo já foram registradas nos Estados Unidos, no Canadá, na Austrália e na Holanda.

Para impedir que a NDM-1 se espalhe, os cientistas recomendam que se identifique e isole rapidamente pacientes diagnosticados com infecções do tipo. Medidas normais para tratamento de infecções – como desinfetar equipamentos de hospitais e boa higiene por parte de médicos e enfermeiras – podem ajudar a impedir que as bactérias se espalhem.

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