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Mecanismo facilita a visualização de imagens e pode evitar a realização de testes caros, como a ressonância magnética

A avançada tecnologia da Agência Espacial Americana (Nasa) aplicada à medicina criou um sistema que ajudará a interpretar com mais precisão exames médicos, algo que pode ser vital para o diagnóstico de doenças como o câncer, anunciou hoje (14) a empresa Bartron Medical Imaging.

A companhia criou o sistema MED-SEG, baseado em um software desenvolvido pela Nasa, que ajudará os médicos a analisar exames como mamografias, ultrassonografias e raios-X digitais.

O sistema incorpora um software no qual o engenheiro da Nasa James Tilton trabalhou durante mais de 25 anos para melhorar a análise das imagens digitais proporcionadas por satélites. Segundo Enidia Santiago-Arce, gerente de transferência tecnológica do Centro Espacial Goddard, o sistema MED-SEG tem capacidade para receber imagens e dados de diversas fontes médicas, armazená-los e processá-los. Isso permite a transferência da informação imediata entre centros médicos, economizando tempo e dinheiro.

Além disso, o uso desta tecnologia "poderia minimizar os erros ao se avaliar imagens radiológicas", explicou Thomas Rutherford, diretor de oncologia na Universidade de Yale, em New Haven. Ela também "poderia permitir o rápido diagnóstico de anomalias nos tecidos explorados", acrescentou.

O objetivo de Tilton era conseguir um novo método para analisar as imagens digitais da Terra, que são compostas por milhares de pixels e frequentemente não oferecem informações suficientes. Para superar a deficiência, Tilton tentou desenvolver uma tecnologia que segmentasse a imagem, organizando e agrupando os pixels com diferentes níveis de detalhe por cores e regiões.

Molly Brewer, professora da divisão de oncologia da Universidade de Connecticut, espera que o sistema MED-SEG, que começará a ser utilizado nos próximos meses em testes clínicos, sirva para melhorar a mamografia como ferramenta para diagnosticar o câncer de mama.

Segundo ela, as mamografias nem sempre são eficientes e, por isso, muitas vezes é necessário que as mulheres façam também "ressonâncias magnéticas, que são caras, incômodas e muitas vezes apresentam uma alta taxa de falsos positivos" levando a "biópsias desnecessárias".

"A precisão do MED-SEG permite ao médico ver mais detalhes", dando um diagnóstico mais preciso, acrescentou.