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Representantes de ONGs e portadores do vírus HIV fazem manifestações nesta quarta-feira em sete Estados

A falta de pelo menos quatro medicamentos do coquetel contra a aids, inclusive de droga utilizada por crianças, leva nesta quarta-feira movimentos sociais que defendem portadores do HIV a realizar manifestações em diferentes Estados. Além do abacavir e da lamivudina, cujo desabastecimento foi informado recentemente, estão em falta, segundo o Ministério da Saúde, a nevirapina e a associação entre lamivudina e zidovudina (AZT).

O antiviral abacavir está em falta desde dezembro de 2009. Segundo o Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis, Aids e Hepatites Virais, a falta ocorre por uma dificuldade do Ministério da Saúde na aquisição do remédio, que é usado por cerca de 3.700 pacientes com aids.

Organizações não-governamentais (ONGs) que defendem os pacientes apontam ainda desabastecimento do efavirenz, o que o ministério diz desconhecer. O programa nacional de combate à aids é considerado um dos melhores do mundo por organismos internacionais.

Segundo o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do ministério, problemas na assinatura de contratos com laboratórios públicos dos Estados explicam o desabastecimento da lamivudina e da zidovudina, usados por 172 mil pessoas. No caso da nevirapina e do abacavir, utilizados por 4,1 mil, entre elas 400 crianças, o nó foi em um contrato internacional em que o governo adquire as drogas de um laboratório indiano por meio do Unicef, órgão das Nações Unidas para a infância, diz o ministério.

"É o desmanche de um programa considerado referência. E o presidente Lula ainda quer fazer acordos de cooperação para a produção de drogas com outros países. A falta de remédios pode aumentar a resistência ao HIV", disse William Amaral, secretário do fórum de ONGs no Rio de Janeiro.

No Estado, a lamivudina distribuída para pessoas com hepatite foi remanejada para quem vive com o HIV. "Pela quarta ou quinta vez na década, somos obrigados a sair às ruas para exigir sobriedade das gestões federal e estaduais", disse Luiz Alberto Volpe, que vive com o HIV e preside a ONG Hipupiara.

Defesa

"Houve um atraso no fechamento dos contratos entre o ministério e as primeiras parcelas, que chegariam entre fevereiro e março, só estão chegando agora", disse Rogério Scapini, responsável pela logística de medicamentos e insumos do departamento, sobre o caso da lamivudina e associações.

Com a falta, as entregas passaram a ser fracionadas, sobrecarregando a logística dos programas estaduais. "Houve um mix de problemas, tanto de um como de outro", disse o técnico, quando questionado se os problemas eram do ministério ou dos laboratórios. A situação deve ser normalizada nos próximos dias. A associação dos laboratórios não comentou. O "mix de problemas", afirmou Scapini, também explica os atrasos de nevirapina e abacavir, "parte do Ministério da Saúde, parte do Unicef, da Anvisa e do produtor". A situação deve ser normalizada em meados de maio.

Em resposta, o Unicef destacou que os problemas foram do laboratório e decorrentes do fechamento do espaço aéreo europeu. Já o gerente-geral do laboratório indiano, Balaji Subramaniam, disse que o atraso é da alçada do governo e do Unicef.

(*com informações do iG São Paulo)

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