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O Ministério da Saúde vai ampliar a rede de atendimento de emergências do país. Nesta quinta-feira, 650 novas ambulâncias serão entregues ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu/192) em 573 cidades.

Números obtidos pelo iG com exclusividade mostram que 1.060 municípios serão atendidos. Essa será a primeira leva de aquisições feitas para reforçar a frota do Samu, que ganhará 2.312 ambulâncias até o fim do ano.

A entrega dos veículos será feita pelo ministro José Gomes Temporão e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Tatuí, São Paulo. A medida ajudará o ministério a chegar perto da meta de universalizar o serviço do Samu no país.

Hoje, estão em atividade 1.488 veículos. O atendimento chega a 106 milhões de pessoas, que representam 55% da população. As novas 650 ambulâncias atenderão um total de 130 milhões (67,7%) de brasileiros. A expectativa é que, até dezembro, o serviço esteja disponível para 162,7 milhões de pessoas ¿ 85% da população.

A chegada das novas ambulâncias permitirá que Alagoas, Amazonas, Goiás, Roraima e Amapá atinjam 100% de cobertura da população pelo Samu, junto com Acre, Distrito Federal, Santa Catarina e Sergipe, que já haviam alcançado esse índice.

As ações do programa vão expandir e garantir um atendimento de qualidade a uma parcela maior da população. O aumento da frota melhora o tempo de resposta médica e torna a assistência cada vez mais ágil, ressalta o ministro.

Abrangência nacional

Para comprar os primeiros veículos, foram gastos R$ 75,8 milhões. Ao todo, as 2 mil novas ambulâncias custarão R$ 256,4 milhões. O ministério estima repassar aos estados e municípios que receberão o reforço da frota um total de R$ 719,1 milhões ao ano para manter o funcionamento das atividades do programa. Parte dos carros servirá para substituir os antigos. A frota do Samu também conta com 400 motocicletas e 12 lanchas.

De acordo com o coordenador geral de Urgência e Emergência do Ministério da Saúde, Clésio Mello de Castro, os novos equipamentos reforçam uma atuação que começou tímida. Ela conta que, apesar do apoio dado pelo governo federal adquirindo ambulâncias e ajudando no custeio delas, o funcionamento do programa está nas mãos dos municípios e estados. Agora, ele acredita que o reforço fará o programa funcionar em todo o território nacional. Vamos suprir vazios assistenciais em alguns Estados e, em outros, garantir expansão e qualificação do serviço, diz.

Integração da rede

O aumento da oferta do atendimento de urgência tem o objetivo de fortalecer a política do MS de integrar os serviços de atenção à saúde. A estratégia adotada pelo governo federal pretende desafogar os hospitais com serviços básicos e deixá-los livres para priorizar atendimentos mais graves. Para isso, Samu, Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e Estratégia Saúde da Família trabalham juntas.

A divisão é feita de modo que o programa Saúde da Família cuide da prevenção de doenças, acompanhando as famílias; identifique possíveis doenças e encaminhe o paciente para o tratamento mais adequado. O Samu é acionado em casos de urgência e tem a responsabilidade de prestar os primeiros socorros e encaminhar os pacientes para as UPAs (em que médicos e enfermeiros, 24 horas por dia, podem realizar exames e consultas, cuidar de fraturas e até infartos e AVC) ou hospitais.

As ligações recebidas na Central de Regulação do Samu são atendidas por técnicos e controladas por um médico. É ele quem deve avaliar a situação, orientar os pacientes e definir o procedimento que será adotado pelo serviço de urgência. Para o ministério, o importante é que o hospital não seja o centro da atenção em saúde. As UPAs atendem plenamente 99% dos casos que chegam a elas, sem necessidade de encaminhá-los a um hospital, ressalta Clésio Mello de Castro.

Clésio defende que as UPAs sejam utilizadas para combater os vazios assistenciais em diferentes regiões do país. O Rio de Janeiro, primeiro Estado a adotá-las, possui 23 unidades. Até 2010, o MS estima que 500 UPAs estejam em funcionamento. Do ano passado para cá, foram liberados R$ 656,8 milhões para a construção dos prédios.

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