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Para Ministério da Saúde, dados são subjetivos e pouco contribuem para propor mudanças no setor público

O Ministério da Saúde classificou os dados do Índice de Valores Humanos na área da saúde (IVH-S), apresentados nesta terça-feira pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), como evasivos, incoerentes com a realidade, e pouco eficientes para suscitar possíveis reformulações no setor público.

“Construir um índice baseado em aspectos subjetivos em algumas dimensões e objetivos em outras, a partir de categorias como valores humanos, e padronizá-los de 0 a 1 sem ponderação pode enviesar e distorcer os resultados e dificultar sua interpretação."

O levantamento foi feito com base na opinião de duas mil pessoas, de diferentes faixas salariais, selecionadas pelo Ibope, em 24 estados e 148 cidades para tentar mensurar experiências vividas pela população sobre o que a instituição considera fundamental ao desenvolvimento humano, nos pilares de Educação, Trabalho e Saúde – este último, batizado de IVH-S, obteve com os piores resultados da avaliação geral.

Na análise do governo, não existem critérios que permitam estabelecer métricas entre os resultados obtidos nos três temas que nortearam a elaboração do trabalho. “As dimensões dos indicadores não são comparáveis. Ou seja, não é possível comparar o IVH da saúde com os outros e concluir, por exemplo, que os valores no trabalho são melhores que na saúde.”

O Ministério defende ainda que IVH-S não é um índice de avaliação de políticas públicas, uma vez que não distingue a assistência realizada pelo sistema privado da realizada pelo sistema público. “O relatório se refere a percepções sobre uma ampla gama de ações e serviços realizados por indivíduos e organizações.”

Na avaliação do governo, as três perguntas utilizadas para classificar o grau de insatisfação com os serviços de saúde prestados – tempo de espera para ser atendido, linguagem dos profissionais de saúde e interesse da equipe médica – são “reducionistas”, dada a complexidade do setor.

“As questões focam apenas em uma parte da atenção à saúde e não permitem um conhecimento sobre outros aspectos, como a relação entre o profissional de saúde e o indivíduo; a experiência dos profissionais; a solução dada ao indivíduo; o nível de satisfação com a atenção, entre outros valores.”

Segundo nota oficial enviada pelo órgão, o tempo de espera nos serviços de saúde é completamente diferente em função da sua complexidade, fluxo e missão do serviço. “Não foi questionado quanto tempo o usuário esperou, se ele foi atendido no primeiro serviço, se foi encaminhado de forma responsável para outro serviço e, o principal, se teve o seu problema resolvido e sua avaliação do atendimento.”

Sem estas dimensões, assevera o governo, a pesquisa se torna vazia de sentido e deve ser relativizada sua capacidade de contribuir na avaliação do setor. Para sustentar a argumentação, o Ministério da Saúde afirma que avaliações mais amplas e voltadas especificamente para avaliação de satisfação de usuários dos serviços de saúde mostram índices muito diferentes do apontado pelo IVH.

“O suplemento de saúde da PNAD 2008 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE, trouxe resultados muito positivos em relação ao acesso, cobertura e satisfação da população com os serviços de saúde no Brasil, também sem distinção entre o público e o privado.“

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