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Fibrilação atrial é mais incidente na população idosa e torna o acidente vascular cerebral ainda mais perigoso

De acordo com estimativas da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), um milhão e meio de pessoas têm fibrilação atrial – um tipo de arritmia cardíaca – em todo o País. Desse total, 130 mil sofrerão um acidente vascular cerebral em função do problema.

“Hoje a fibrilação atrial atinge 1% da população. Acima dos 80 anos, esse índice chega a 10%”, afirma o presidente da SBC, Jadelson Pinheiro Andrade.

“ A fibrilação é a arritmia mais frequente na população”, completa.

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No entanto, menos de 4% dos brasileiros conseguem relacionar esta condição à ocorrência de um AVC, de acordo com pesquisa sobre o conhecimento da população com relação a doenças cardiovasculares, realizada pela farmacêutica Bayer, com sete mil pessoas, em oito capitais. Na pesquisa, 71% dos entrevistados disseram não saber o que é fibrilação atrial e apenas 16% dos entrevistados souberam relacioná-la à arritmia cardíaca.

Os pacientes com fibrilação têm cinco vezes mais chance de ter um AVC em comparação com a população em geral. E o pior: de um tipo mais perigoso.

“Quando há fibrilação, não há a formação de vários coágulos, que podem tomar o caminho do cérebro e causar um grande AVC, atingindo várias áreas”, explica Ricardo Pavanello, cardiologista do Hospital do Coração (HCor). Por isso, os AVCs causados por fibrilação atrial comprometem de forma significativa a vida e a qualidade de vida de quem os tem.

O diagnóstico da fibrilação atrial é relativamente simples e pode até ser feito pelo próprio paciente. O coração bate de forma regular. Quando há falha no sistema elétrico, o órgão funciona de maneira irregular. Esse descompasso pode ser observado apenas tomando o pulso, expressão periférica do coração.

“Se nos habituarmos a pegar o pulso periodicamente, vamos perceber o batimento regular. Assim, quando notarmos alguma alteração, podemos recorrer a um médico”, diz Jadelson.

Um cardiologista ou um bom clínico geral são capazes de diagnosticar o problema com um estetoscópio. Para confirmar o diagnóstico, é possível que o médico peça um ecocardiograma . Segundo os especialistas, as possíveis complicações da fibrilação podem ser evitadas com o uso de anticoagulantes. Porém, a utilização do medicamento ficará a cargo do médico, que deverá analisar cada pessoa individualmente.

Panorama no Brasil

As doenças cardíacas são responsáveis por mais de 30% do número de óbitos em todo o país. “São dados muito preocupantes. Apesar de todos os avanços em intervenção e no tratamento, ainda assim as doenças do coração persistem como o maior fator de impacto no homem no nosso País”, afirmou Jadelson Pinheiro Andrade.

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O índice de fatalidade da doença, no entanto, é desconhecido da maioria da população, conforme revelou a pesquisa. De acordo com os dados levantados, a população credita ao câncer o maior número de óbitos no País, seguido do cigarro e dos acidentes de trânsito. Apenas 13% afirmaram que o acidente vascular cerebral está entre as principais causas de morte.

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