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O exame de imagem PET-CT mostra  se o músculo cardíaco afetado pode ser recuperado ou se o dano é permanente

Agência Estado

O exame de imagem PET-CT, já consolidado para diagnóstico e acompanhamento de câncer , começou a ser usado em cardiologia no País.

Trata-se do único teste que permite verificar, em um paciente que sofreu infarto , se o músculo cardíaco afetado pode ser recuperado ou se o dano é permanente.

Em São Paulo, ele é aplicado com essa finalidade em centros como o Instituto do Coração (InCor), do Hospital das Clínicas, e o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), além do Laboratório Fleury.

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A principal aplicação cardiológica do PET-CT é determinar a viabilidade miocárdica, que indica como estão as células do local após um evento cardiovascular. Por causa do infarto, o coração desenvolve uma 'cicatriz' e, nessa área, o músculo cardíaco deixa de funcionar. Mas, em alguns pacientes, as células não estão mortas, mas sim 'hibernando' para sobreviver com pouco sangue.

Veja no infográfico: O infarto do novo século

O exame permite que os médicos determinem a melhor forma de revascularizar a região para que o músculo volte a funcionar e também evita cirurgias desnecessárias, caso seja constatado que as células de fato morreram.

"Depois de ‘hibernar’, a célula do músculo cardíaco só é recuperada quando irrigada de forma eficaz. A revascularização pode ser feita com ponte de safena ou stent, por exemplo", explicou a cardiologista Paola Smanio, chefe da seção de Medicina Nuclear do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia e do Laboratório Fleury.

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Para se submeter a esse tipo de PET-CT, o paciente recebe na veia uma solução com glicose ligada a uma substância radioativa. As células em estado de hibernação absorvem a glicose para transformá-la em energia. Quando essas células absorvem os marcadores do exame, o equipamento mapeia quais regiões ainda estão vivas e podem ser recuperadas.

O acesso ao teste nem sempre é fácil. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) ainda não reconhece a aplicação do teste na cardiologia, o que o deixa fora do rol de procedimentos cobertos pelos planos.

"Nenhum convênio reembolsa, o que é um entrave para viabilizar o exame. Por isso, no Brasil, isso ainda não é amplamente disponível", afirmou o cardiologista e médico nuclear do Hospital do Coração (HCor) Rafael Willain Lopes.

"Muito do que se faz com PET-CT na cardiologia ainda é de forma experimental no Brasil e em pacientes controlados", diz o médico do Hospital e Maternidade São Luiz Miguel Antonio Moretti, vinculado à Socesp.

O exame PET-CT, para atendimento particular, tem custo elevado: de R$ 3 mil a R$ 3,5 mil. O Sistema Único de Saúde (SUS) também não reembolsa o valor gasto com o exame, o que torna seu uso restrito na rede pública. As informações são do Jornal da Tarde (Mariana Lenharo).

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