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Segundo relatório global, as prisões afastaram os usuários de drogas dos sistemas públicos de saúde, o que contribuiu para o aumento de infectados pelo HIV

EFE

Os governos de todo o mundo fracassaram em suas campanhas de luta contra a droga e suas ações neste sentido provocaram uma verdadeira pandemia de aids entre os usuários de drogas, aponta um relatório publicado nesta terça-feira (26).

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O estudo, intitulado "A guerra contra a droga e o HIV/Aids: como a criminalização do uso de drogas alimenta a pandemia global" foi elaborado pela Comissão Global de Política sobre Drogas, que, entre seus signatários, figuram seis ex-presidentes, incluindo o brasileiro Fernando Henrique Cardoso.

A publicação deste relatório antecede a Conferência Mundial sobre a Aids, que reunirá uma série de especialistas, voluntários e autoridades em Washington entre os dias 22 e 27 de julho.

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Em seu relatório, a comissão qualifica a luta global contra a droga como um "fracasso", já que a mesma aproxima os usuários não violentos dos presídios e os afastam dos sistemas públicos de saúde, um fato que foi determinante para o aumento de pessoas infectadas pelo HIV. Neste caso, a principal forma de contágio é o uso compartilhado de seringas.

Com base nos dados deste estudo, os analistas criticam duramente o "notável fracasso das políticas de luta contra a droga" na redução da provisão mundial de opiáceos ilegais, como a heroína – cuja oferta aumentou 380% entre 1980 e 2010, enquanto os preços tornam-se cada vez mais baixos.

O relatório se volta contra os governos dos Estados Unidos, China, Rússia e Tailândia por "ignorar a evidência científica, as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e por não investir na implementação de programas de prevenção ao HIV", o que gerou "consequências devastadoras".

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Segundo os dados deste grupo de especialistas, um quarto dos americanos infectados com HIV passou por penitenciárias pelo menos uma vez ao ano.

Por outro lado, o documento exalta a atuação de países como a Austrália, Portugal ou Suíça, onde "a dependência é tratada como um problema de saúde" e os índices de HIV entre drogados foram quase zerados.

A luta contra a droga também afetou o crime organizado, denuncia o relatório, que ressalta que desde 2006 a guerra das forças de segurança do México contra os cartéis de droga resultou na morte de aproximadamente 50 mil pessoas e causou 10 mil desaparições.

No entanto, esta ação não freou a produção de heroína no país, que aumentou 340% na última década, apontam os autores, entre eles os ex-presidentes César Gaviria (Colômbia), Ernesto Zedillo (México) e Ricardo Lagos (Chile).

Além de reprovar as ações antidrogas vigentes, o relatório propõe reformas que consigam "quebrar o tabu", como substituir a pena de prisão por atendimento médico e programas de desintoxicação.

Outras medidas também poderiam apresentar resultados positivos, caso da descriminalização da maconha, distribuição de seringas descartáveis e programas de prescrição de heroína.

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