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Descoberta pode levar a novos métodos de prevenir e tratar o câncer cervical

Cientistas conseguiram localizer as células no colo do útero que dão origem ao câncer quando atacadas pelo vírus do papiloma humano (HPV), uma descoberta que pode conduzir a novos métodos de prevenção e tratamento da doença.

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Mesmo que o vírus invada todo o trato genital, a infecção pelo HPV provoca lesões pré-cancerosas e cancerosas em apenas uma parte do colo do útero, chamada de junção escamocolunar ectoendocervical, ou junção SC. Agora, investigadores descobriram que os cânceres cervicais estão ligados a uma pequena população de células distintas na região.

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Os pesquisadores começaram a examinar as células da junção SC no colo de pacientes não infectadas pelo HPV. Entre as amostras, eles descobriram que, ao microscópio, algumas células pareciam ser diferentes das que estavam em áreas adjacentes.

Então eles compararam a forma e a composição genética de células pré-cancerosas e células cancerosas lesionadas com células da junção SC. Os pesquisadores perceberam que as células eram correspondentes e por isso acreditam ter encontrado as células onde, na maioria dos casos, os cânceres cervicais surgem.

Christopher P. Crum, autor principal da pesquisa, disse que a descoberta segue um estudo de 2011 conduzido por Frank McKeon e Wa Xian, de Harvard, que descobriram as mesmas células na doença chamada esôfago de Barrett, precursora do câncer de esôfago – pesquisas também já vincularam esse tipo de câncer à infecção por HPV. O novo estudo foi publicado este mês no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences.

“Estes marcadores podem ser utilizados para definir mais claramente quais pré-cânceres precisam ser tratados e quais precisam ser acompanhados, pois você não vai fazer a cirurgia em mulheres que têm infecções inócuas”, disse Crum, professor de patologia na Universidade de Harvard.

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Mark H. Einstein, oncologista ginecológico do Centro Médico Montefiore no Bronx, que não participou do estudo, concordou que isso pode se tornar uma importante aplicação clínica.

“Os procedimentos que tratam as células pré-cancerosas podem levar a parto prematuro em algumas mulheres, por isso queremos evitá-los, se possível”, disse ele.

Apesar de os pesquisadores não descartarem a hipótese de que as células de junção SC possam se desenvolver de forma espontânea, eles estão quase certos que elas aparecem durante o desenvolvimento fetal e existem em todas as mulheres, independentemente da idade.

Os marcadores de células de junção SC estão sempre presentes em lesões pré-cancerosas e cancerosas de alto grau, e estão ausentes na maioria das lesões de baixo grau. No estudo, a presença deles previu com precisão as lesões pré-cancerosas mais prováveis de se tornarem malignas, infectadas pelo tipo 16 do HPV.

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A descoberta também pode levar a um tratamento profilático, pelo menos em regiões do mundo onde os cuidados de rotina, como o rastreamento de câncer do colo do útero, não estão disponíveis.

“Uma vez que a área que essas células ocupam é pequena, talvez elas possam ser facilmente removidas por alguns meios que podem ser baratos e eficazes na prevenção do câncer cervical. Existem pessoas que afirmam que isso pode funcionar, e é um conceito a se pensar”, diz Crum.

As células não se regeneram depois de serem cortadas. A aplicação clínica da descoberta pode estar muito próxima, disse Einstein.

“Isso é algo que provavelmente poderá ser adotado pelos clínicos e patologistas brevemente”, disse ele.

“Os pesquisadores têm realmente identificado tipos de células que podem ser alvo para novos métodos de tratamento, ensaios e triagens. É fantástico.”

* Por Nicholas Bakalar

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