Tamanho do texto

Classificada como inovadora, vacina é feita com células do próprio tumor que induzem o sistema imunológico a agir

Agência Estado

O tumor cerebral traz um prognóstico brutal - a maioria dos pacientes morre no espaço de um ano após o diagnóstico. Keith Flood, porém, está recebendo o que poderá ser uma vacina inovadora que, segundo os pesquisadores, oferece a possibilidade de preciosos meses extras de vida.

Siga o iG Saúde no Twitter

O marido e pai de duas filhas, morador de Ramsey, New Jersey, está participando de um teste clínico no The Valley Hospital, em Ridgewood, no qual está recebendo doses de uma vacina feita do tecido de seu próprio tumor cerebral. Os pesquisadores esperam que as injeções induzam o sistema imune de seu corpo a destruir as células cancerosas.

Não é uma cura, e o tratamento pode estar a anos de uma aprovação federal, mas os pacientes em estudos preliminares viveram um pouco mais, e os pesquisadores dizem que isso é um passo significativo para vacinas.

Leia mais:
EUA aprovam dispositivo portátil para tratar câncer de cérebro
Pequeno dicionário dos tratamentos de câncer
Cientistas desenvolvem vírus que ataca células cancerígenas

Anthony D’Ambrosio, neurocirurgião do Valley Hospital que está chefiando o estudo, disse que a vacina para os tumores malignos conhecidos como glioblastomas “é promissora”.

“Não esperamos que ela seja uma cura porque as células tumorais estão sempre mudando e encontram um jeito de resistir ao tratamento”, disse D’Ambrosio. “Mas os dados preliminares mostram uma melhora significativa. Os pacientes estão vivendo alguns meses mais.”

Flood recebeu cinco injeções de vacina e não deixou que o câncer ou seu tratamento o paralisassem. Ele quase não faltou ao trabalho em Wall Street, voltou a correr vários quilômetros e pode ser encontrado com frequência num campo de golfe.

“Tenho plena fé de que o que vier a acontecer será aceitável”, disse Flood, de 51 anos. “Não tenho me estressado com isso e em nenhum momento disse ‘Por que eu?’ Mas pensei muitas vezes que fico feliz por ser comigo e não com minhas filhas.”

Mais de 30 pacientes estão inscritos no estudo de Fase 2 em oito hospitais dos Estados Unidos. Todo paciente está recebendo a vacina; nenhum está recebendo placebo.

Os glioblastomas são tumores agressivos que se formam no cérebro . A localização do tumor, a velocidade com que ele cresce e a quantidade de pressão que exerce sobre várias partes do cérebro determinam a progressão da doença. Pouquíssimos paciente sobrevivem mais do que três anos, e quase nenhum mais do que cinco. Os tumores cerebrais matam 13.700 pessoas por ano nos EUA, segundo o Instituto Nacional do Câncer.

Intervenção cirúrgica

Para participar do estudo, os pacientes precisam ter seus tumores retirados por cirurgiões que participam do projeto, para que o tecido do tumor seja coletado para as vacinas. O tecido tumoral é enviado à Agenus, uma companhia em Massachusetts que cria vacinas individuais. Cada paciente recebe um mínimo de quatro vacinas e alguns até dez, dependendo da quantidade de tecido obtida da cirurgia.

Leia também:
Tomografias na infância podem triplicar risco de câncer cerebral
Nanotecnologia abre novo caminho para combate ao câncer
Conheça as principais causas de câncer 

A injeção ensina o sistema imune a reconhecer as células tumorais como um corpo estranho. Normalmente, os tumores no cérebro não são percebidos pelo sistema imune por algo chamado barreira hematoencefálica - que “isola” os tecidos do cérebro e da medula espinhal do resto do organismo em termos de circulação sanguínea -, de modo que sem intervenção, os tumores cerebrais continuarão a crescer sem empecilhos. Com a vacina, essa barreira é cruzada e o sistema imune é acionado para atacar o tumor invasor.

Nos testes clínicos iniciais, 40 pacientes que receberam vacinas tiveram uma sobrevida total média de 47,6 semanas, e 93% sobreviveram seis meses. Pesquisadores compararam isso com 86 pacientes que foram tratados com terapias convencionais e não receberam vacina, nos quais a sobrevida média foi de 32,8 semanas, com apenas 68% sobrevivendo por seis meses.

As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.