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Autoridades de saúde creditam aumento de casos a calor atípico no verão norte-americano deste ano

NYT

O atual surto de infecções pelo vírus do Nilo Ocidental, nos Estados Unidos, está a caminho de ser a maior da história, desde que o vírus apareceu pela primeira vez no país em 1999, afirmaram hoje (22) as autoridades de saúde dos EUA.

Desde a terceira semana de agosto, houve um total de 1.118 casos de infecção pelo vírus em 38 estados americanos, incluindo 41 mortes.

Mosquitos com o vírus do Nilo Ocidental: cientistas querem desvendar causas do surto
AP
Mosquitos com o vírus do Nilo Ocidental: cientistas querem desvendar causas do surto

“Os números aumentaram dramaticamente nas últimas semanas, e indicam que estamos no meio de uma das maiores epidemias já vistas em os EUA”, afirmou à imprensa Lyle Petersen, diretor da Divisão de Doenças Infecciosas Transmitidas por Vetores dos Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

O órgão máximo de vigilância em saúde dos Estados Unidos divulgou também que 56% dos casos de 2012 foram classificados como neuroinvasivos, ou seja, o vírus gerou encefalite ou meningite nas pessoas infectadas.

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No Texas, o estado mais atingido pela epidemia, foram relatados 586 casos, com 21 mortes, de acordo com David Lakey, comissário do Departamento de Serviços de Saúde do Estado do Texas.

“Até este ano, o Texas havia reportado apenas 10 mortes decorrentes do vírus entre 2003 e 2011”, observou ele.

Funcionários do condado de Dallas (Texas), iniciaram a pulverização aérea de inseticidas noite última quinta-feira. Louisiana, Mississippi e Oklahoma também foram duramente atingidos pelo vírus.

Especialistas dos EUA ainda não sabem por que o surto deste ano está muito pior do que nos anos anteriores, mas suspeitam de que poderia resultar de uma confluência de fatores, entres os quais se destaca um verão notadamente mais quente do que os anos anteriores.

“Com base em experiências em laboratório, sabemos que o calor pode aumentar a transmissibilidade do vírus através dos mosquitos e que isso pode ser um fator importante”, disse Lyle Petersen, do CDC.

O número de aves infectadas, que depois passam o vírus para os mosquitos, provavelmente também desempenha um papel decisivo, acrescentou o especialista.

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O aumento nos casos neuroinvasivos este ano for maior do que o observado anteriormente, mas o CDC afirmou que ainda não está claro se o aumento foi devido à maneira como os casos estão sendo relatados ou se houve um aumento real destas infecções mais graves.

De modo geral, 80% das pessoas infectadas com o vírus do Nilo Ocidental desenvolvem poucos sintomas ou não sentem absolutamente nada, e cerca de 20% desenvolvem sintomas leves, como dor de cabeça, dor nas articulações, febre, erupções cutâneas e aumento dos gânglios linfáticos. Menos de 1% irádesenvolver doenças neurológicas, como a encefalite ou meningite – quadros que podem gerar paralisia ou dificuldades cognitivas.

Não há tratamento específico para o vírus do Nilo Ocidental. O maior risco de infecção com normalmente ocorre de junho a setembro nos Estados Unidos, com picos em números de casos em meados de agosto. Como as notificações sempre chegam atrasadas em relação às infecções reais, o CDC acredita que os números aumentarão mais até o final de setembro.

Assista na TViG:  EUA declaram guerra ao mosquito transmissor do vírus do Nilo Ocidental

Embora a maioria dos casos leves de infecção pelo vírus do Nilo Ocidental se recupere por conta própria, o CDC recomenda que quem apresentar sintomas deve procurar um médico.

A melhor maneira de se proteger de vírus do Nilo Ocidental é evitar ser picado por mosquitos, que podem pegar a doença de aves infectadas. O CDC recomenda os seguintes passos para se proteger:

  • Passar repelentes de insetos antes de sair ao ar livre
  • Usar camisas de mangas compridas e calças no amanhecer e no anoitecer
  • Não deixar água parada em recipientes abertos, como vasos de flores, baldes e piscinas de plástico
  • Instalar ou reparae as telas em janelas portas
  • Em vez de abrir as janelas, usar o ar condicionado sempre que possível


* Por Amanda Gardner

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