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Pacientes que ficaram mais tempo sob cuidados de reanimação tiveram 12% mais chances de sobrevivência em relação aos que ficaram menos tempo

BBC

Uma pesquisa realizada por cientistas americanos revelou que o prolongamento das técnicas de reanimação em pacientes que sofrem paradas cardíacas reduz o risco de morte.

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O estudo, publicado na revista The Lancet e realizado pela Universidade de Washington e Universidade de Michigan, é um dos maiores do gênero e um dos primeiros a relacionar a duração dos esforços de reanimação às taxas de sobrevivência.

Entre os anos de 2000 e 2008, os pesquisadores identificaram 64.339 pacientes com paradas cardíacas em 435 hospitais dos Estados Unidos, a partir de dados obtidos por meio da American Heart Association.

Os cientistas examinaram pacientes adultos em leitos comuns ou em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), excluindo aqueles em atendimento de emergência e ou que sofreram parada cardíaca durante procedimentos médicos.

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Ao examinar os dados, eles descobriram que, enquanto a maioria dos pacientes foi reanimada depois de um período curto de tempo, cerca de 15% dos pacientes que sobreviveram à parada cardíaca precisaram de pelo menos 30 minutos para que o pulso voltasse.

Os pesquisadores também calcularam a duração média dos esforços de reanimação para os que não sobreviveram, para medir também a taxa de sucesso de um hospital ao tentar reanimar um paciente por mais tempo.

Parada cardíaca: pessoas que recebem mais tempo de reanimação têm 12% mais chances de sobrevivência, apontou estudo
Getty Images
Parada cardíaca: pessoas que recebem mais tempo de reanimação têm 12% mais chances de sobrevivência, apontou estudo

Diferença de tempo

Uma das primeiras descobertas que chamou a atenção dos médicos foi a variação na média de tempo dos esforços de reanimação entre os hospitais: de 16 minutos, para as instituições que passavam menos tempo tentando reanimar os pacientes, até 25 minutos.

O pesquisador que liderou o estudo, Zachary Goldberger, da Universidade de Washington, afirma que a variação não é surpreendente, pois não há regras estabelecidas que determinem quando os médicos precisam parar com os esforços de reanimação.

"Nossas descobertas sugerem (que existe) uma oportunidade para melhorar o cuidado com esta população em alto risco. No geral, (a melhora) pode envolver a padronização do tempo exigido para continuar as tentativas de reanimação", disse.

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Segundo o médico Brahmajee Nallamothu, professor associado da Universidade de Michigan e que também participou do levantamento, inicialmente os pesquisadores achavam que tinham descoberto que, em alguns casos, os esforços prolongados para reanimar pacientes eram em vão. Porém, ao concluírem o estudo, constataram que os minutos adicionais tiveram uma diferença positiva.

Os pacientes que ficaram mais tempo sob os cuidados de reanimação tinham chances de sobrevivência 12% maiores. Nallamothu e seus colegas também descobriram que a função neurológica não era afetada pela duração dos esforços de ressuscitação.

Jerry Nolan, consultor em anestesia no Hospital Ryoal United em Bath, na Grã-Bretanha, e membro do conselho britânico de reanimação, afirmou que uma tentativa que dura por volta de 30 minutos "será relativamente longa, mas não é tão incomum".

Neste caso, o paciente pode sobreviver sem danos cerebrais. "Se a qualidade da reanimação cardiopulmonar é boa e há bastantes sangue e oxigênio passando para o cérebro então, sim, as pessoas podem sobreviver e já vimos isso recentemente", disse o médico, em alusão ao caso do jogador de futebol Fabrice Muamba, que sobreviveu a uma parada cardíaca em campo que durou 78 minutos em março de 2012 na Grã-Bretanha .

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