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Suécia registra os primeiros transplantes uterinos do mundo, procedimentos ainda experimentais. Confirmação da gravidez só poderá acontecer em 2014

AFP

Pesquisa na suécia testa a eficácia e a segurança do transplante de úetro
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Pesquisa na suécia testa a eficácia e a segurança do transplante de úetro

Duas mulheres suecas receberam úteros novos no último sábado (16), os primeiros transplantes uterinos doados de mãe para filha. O objetivo do experimento é ajudar as receptoras a engravidarem, anunciou o comunicado da Universidade de Gothenburg.

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O primeiro transplante de útero realizado com sucesso aconteceu em 2011 na Turquia.

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“Uma das mulheres teve o útero removido após um tratamento para o câncer cervical. A outra já nasceu sem útero. As duas pacientes estão na faixa dos 30 anos”, diz o comunicado. "Mais de 10 cirurgiões participaram das operações, que foram realizadas sem quaisquer complicações. As receptoras estão bem, só cansadas por causa da cirurgia”, disse Mats Braennstroem, professor de obstetrícia e ginecologia da universidade e líder da pesquisa.

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"As mães que doaram seus úteros já estão andando e devem ir para casa dentro de alguns dias", acrescentou Braennstroem. Durante a coletiva de imprensa, o médico afirmou que as jovens vão precisar esperar um ano antes de tentar engravidar.

Ainda segundo o líder da pesquisa, só então elas serão submetidas à fertilização in-Vitro feita por meio de embriões congelados, inseminados em nos óvulos das pacientes. Este procedimento já foi feito antes do transplante de útero.

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"Por isso, nós só vamos realmente saber se a técnica foi bem-sucedida e resultou em gravidez em2014”, acrescentou Braennstroem.

O obstetra não quis especular quais são as chances destas mulheres engravidarem, mas observou que, em tratamentos de fertilização in vitro regulares, a probabilidade de gestação após a transferência de embriões é entre 25 e 30%. Braennstroem disse que os úteros transplantados serão removidos das pacientes após as mulheres terem até dois filhos. “Assim, elas poderão parar de tomar a medicação imunossupressora que ajuda o organismo a não rejeitar o transplante.”

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Michael Olausson, outro médico que participou da pesquisa, disse que eles contam com o mesmo índice de rejeição registrado em transplantes de outros órgãos que é de 20%.

Os nomes das mulheres não foram revelados e elas foram selecionadas para o procedimento depois de enfrentarem uma demorada maratona de exames, que garantissem a fertilidade e a saúde delas e dos companheiros.

As mães foram utilizadas como doadoras por causa da "vantagem teórica de um parente próximo ser um doador compatível”, disse Olausson e também "porque o útero tinha provado a funcionalidade em ser capaz de ter um filho", compementou Braennstroem

Nos próximos meses, outras oito mulheres devem ser submetidas ao transplante de útero.Braennstroem salientou o procedimento é destino a ajudar jovens que nasceram sem útero ou perderam o órgão ainda jovens em razão de doenças. O objetivo não é contemplar as mulheres mais velhas que já passaram da idade fértil. Todos as candidatas para o transplante na Suécia estão na faixa dos 30 anos ou mais jovens.

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A equipe de pesquisa trabalha no projeto desde 1999. A realização de transplantes de útero já é bem sucedida em animais. Transplantes uterinos, no entanto, são vistos com ressalvas, porque envolvem doadores vivos. Inicialmente, o estudo foi barrado pelo Conselho Ético da Suécia. O sinal verde para os estudos avançarem só foi dado quando o conselho montou uma comissão para acompanhar de perto o projeto.

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