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Luciane estava internada no interior de São Paulo e não resistiu à infecção generalizada resultante da contaminação pelo vírus HIV

Coquetel antiaids começa a ser distribuído às crianças em 1996
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Coquetel antiaids começa a ser distribuído às crianças em 1996

Luciane Aparecida Conceição morreu nesta sexta-feira (5) em Sorocaba, interior de São Paulo, aos 24 anos. Portadora do vírus HIV desde o nascimento, ela foi uma das primeiras pacientes do Brasil a conseguir autorização para tomar os medicamentos contra a aids, quando ainda era criança.

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Na época, nos anos 90, não existiam estudos que garantissem a segurança do coquetel antiaids para o público infantil.

Por isso, o caso de Luciane precisou ser levado à justiça para ela ter acesso às medicações anti-retrovirais usadas para controlar a doença. Após esta decisão pioneira, o Ministério da Saúde incorporou, no ano 1996, as crianças entre os beneficiados dos medicamentos entregues gratuitamente pelo governo federal.

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Luciane foi contaminada durante o parto, em uma forma de transmissão chamada vertical – passada de mães soropositivas para os filhos. Segundo publicação da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz), ela foi rejeitada pela mãe e adotada por uma família pobre, aos 8 anos. “Luciane tinha tuberculose, pneumonia, peso baixo, dificuldade de andar, queda de cabelo, feridas pelo corpo”, descreveu o material.

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Na ocasião, a infectologista Rosana Maria Paiva dos Anjos, que tomava conta do caso, disse que a sobrevivência da garota não podia ser garantida naquelas condições. “Ela não respondia ao tratamento, chegou a um estado que a gente chama de final”, declarou a médica à equipe da FioCruz. Em uma decisão emergencial, a infectologista receitou a Luciane o coquetel anti-retroviral (d4T, 3TC e ritonavir), prescrição não aceita pela secretaria de saúde e daí a necessidade de recorrer às instâncias judiciais.

Com autorização jurídica, o tratamento foi iniciado e virou protocolo nacional meses depois. Durante 12 anos, a carga viral da paciente pioneira foi controlada, chegando a níveis mínimos, conforme os noticiários. Em 2008, Luciane teve a primeira filha aos 20 anos, após apaixonar-se pela primeira vez pelo vizinho Daniel, descreveu reportagem do jornal O Estado de São Paulo.

Apesar da gravidez não ter sido resultado de uma inseminação artificial, a menina – Ana Vitória - nasceu livre da doença, uma amostra dos avanços das políticas públicas de controle da aids. A partir de então, o Ministério da Saúde passou a desenhar a política de maternidade para mulheres soropositivas que desejavam ser mães. Em 2010, “nasceu” o plano nacional que contempla a gravidez de casais que convivem com a aids.

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Neste ano, Luciane foi internada várias vezes e chegou a pesar 40 quilos, de acordo com informações da TV Globo de Jundiaí. Segundo o iG apurou, a paciente havia parado de tomar os medicamentos.

A causa da morte, informou a Secretaria de Estado da Saúde, foi infecção generalizada, resultante da fragilidade do organismo provocada pela aids. A paciente pioneira do tratamento para a aids entrou para os números fatais da doença- todos os dias, o HIV mata 33 brasileiros .

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