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Pesquisas apresentadas em congresso internacional apontam que o futuro do tratamento da doença está em remédios mais eficazes e com menos efeitos colaterais

Medicamentos mais potentes, com menos efeitos colaterais, em doses menores e de administração oral são as novas promessas para o tratamento efetivo da hepatite C , destacam os especialistas brasileiros presentes no Congresso Americano de Doenças do Fígado, encerrado hoje (13) em Boston (EUA).

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Embora ainda em fase de pesquisa, a expectativa é que esses remédios estejam disponíveis em dois ou três anos e que novos medicamentos entrem no mercado dentro de oito anos.

“O que vai mudar em curto prazo é a base dessa nova terapêutica, a molécula passará a ser de ação antiviral direta. E as que temos hoje já estarão em sua segunda geração e serão mais potentes e terão menos efeitos adversos”, afirma Fábio Marinho, hepatologista do Hospital das Clínicas da Universidade de Pernambuco e da Beneficência Portuguesa do mesmo estado.

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De acordo com o médico, o tempo de tratamento cairá de 48 semanas para, no máximo, 24 – metade do tempo. As doses também devem ficar bem menores e passarão de 12 comprimidos ao dia, em média, para apenas dois. O índice de cura, destaca Marinho, deve passar para quase 100%.

“Acredita-se que em oito ou 10 anos, com o que está surgindo de drogas, não teremos Hepatite C no mundo”, diz.

Além disso, muitas das novas drogas vão atingir outros tipos da hepatite. “O genótipo 1 é o mais comum e o mais difícil de ser tratado, mas os lançamentos preveem tratamentos para os tipos 2, 3 e 4, que hoje não são tratados”, relata Edson Parise, presidente eleito para 2013 da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH).

Também nesse mesmo período de três anos, estimam os médicos, o tratamento da hepatite C, que hoje é feito com base na terapia tripla (inibidores de protease + ribarina + interferon), deixará de utilizar o interferon, sem perder eficácia. O grande ganho, neste caso, é a redução dos efeitos colaterais, que costumam atingir 70% dos pacientes.

“Também é uma alternativa a quem não respondeu ao tratamento com o interferon”, pondera Parise. A supressão desse medicamento também deve aumentar a aderência dos pacientes ao tratamento, já que a droga é injetável.

Mudanças

Há dois anos, dois novos medicamentos revolucionaram o tratamento da hepatite C, que hoje atinge mais de 60 mil brasileiros, segundo dados do Ministério da Saúde. O surgimento do telaprevir e do boceprevir, ambos inibidores de protease, elevaram os índices de cura da doença de 40% para 70% pela primeira vez em 10 anos.

Em uso há dois anos na Europa e nos Estados Unidos – no Brasil essa terapêutica deve chegar ao Sistema Único de Saúde no início de 2013 – a utilização desses dois remédios já está sendo revisada nessas regiões.

“Está havendo um refinamento na maneira de tratar esses pacientes, para evitar efeitos colaterais. Ainda nessa área, estudos mapearam o emprego do remédio em novas situações como em pacientes com HIV e em transplantados, além de pessoas pessoas com insuficiência cardíaca e com cirrose”, conta Parise.

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Outro estudo destacado foi o que prevê a redução do uso do telaprevir. “Atualmente o paciente toma o comprimido de 8h em 8h. Um estudo desmonstrou que a medicação pode ser ingerida de 12h em 12h, o que torna o tratamento mais confortável para o paciente e reduz as taxas de abandono”, completa Marinho.

Rumo à erradicação

Apesar dos avanços nas novas tecnologias para lidar com a doença, um dos grandes problemas do país ainda é o diagnóstico. Chamada de doença silenciosa, já que a condição evolui sem sintomas aparentes, rastrear os possíveis doentes ainda é o grande desafio.

“Temos que fazer um movimento para detectar essas pessoas, porque tratar está ficando cada vez mais simples. Estamos caminhando para chegar ao patamar de 100% de cura”, ressalta Parise. Hoje, um simples exame de sangue é capaz de identificar a presença do vírus no corpo.

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