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Vírus transmitido pela relação sexual desprotegida aumenta em cinco vezes a chance de ter câncer na garganta e em toda a região do pescoço

Reuters

Uma infecção transmitida sexualmente e geralmente associada ao câncer de colo do útero também está relacionada a um risco cinco vezes maior de câncer no aparelho vocal, segundo um estudo publicado na revista científica Journal of Infectious Diseases.

Não é a primeira vez que pesquisadores associam o vírus HPV aos cânceres da região da cabeça e do pescoço. Recentemente, um estudo feito pela Faculdade de Saúde Pública da USP mostrou que 72% dos casos de câncer de cabeça e pescoço apresentam o HPV, um vírus transmitido principalmente em relações sexuais desprotegidas.

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Neste recente estudo, pesquisadores chineses combinaram os resultados de 55 estudos das últimas duas décadas, e descobriram que 28% das pessoas com câncer de laringe tinham tecidos tumorais com resultados positivos para o vírus do papiloma humano (HPV).

Mas esse índice variou amplamente de estudo para estudo – desde a ausência do HPV em pacientes com câncer de garganta, até uma taxa de infecção de 79% nos pacientes com tumores.

"A infecção pelo HPV, especialmente pelo tipo HPV-16, de alto risco, foi apontado como significativamente associado ao risco de carcinoma de células escamosas de laringe", escreveu o coordenador do estudo, Xinagwei Li, da Academia Chinesa de Ciências Médicas e da Faculdade Médica da Universidade de Pequim.

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Além de reverem os estudos, os pesquisadores analisaram também 12 trabalhos que comparavam tecidos cancerosos e não-cancerosos em um total de 630 pacientes. Eles concluíram que os tecidos cancerosos de garganta tinham 5,4 vezes a chance de dar positivo para um exame de HPV, em relação ao tecido não-canceroso.

"Estamos descobrindo que o HPV parece estar ligado a vários carcinomas de células escamosas da cabeça, pescoço e garganta", disse William Mendenhall, oncologista especializado em radioterapia, da Universidade da Flórida, em Gainesville, que não participou do estudo.

"Acho que o risco do HPV em câncer de laringe é provavelmente relativamente baixo", acrescentou.

"A maioria dos pacientes que vemos atualmente vindo com câncer de laringe têm um forte histórico de tabagismo, e também de consumo pesado de bebidas."

Além do cigarro e do álcool, a má alimentação e a exposição a certas substâncias químicas podem aumentar o risco de cânceres de cabeça e pescoço (incluindo laringe).

A Sociedade Americana do Câncer estima que 12.360 pessoas receberão um diagnóstico de câncer de laringe nos EUA em 2012, e que haverá 3.650 mortes em decorrência da doença.

Mendehall disse que, de todos os cânceres de cabeça e pescoço, o HPV parece desempenhar um papel maior não no de laringe, e sim no câncer das amígdalas e do fundo da língua.

"A exposição é provavelmente décadas antes. Alguém que desenvolva um câncer da base de língua aos 50 anos provavelmente foi exposto ao vírus anos antes, na adolescência ou na faixa dos 20 anos."

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Pelo menos metade das pessoas sexualmente ativas contrai HPV em algum momento da vida, segundo autoridades dos EUA, mas o vírus geralmente é eliminado pelo sistema imunológico. Apenas algumas das mais de 40 cepas do HPV estão associadas ao câncer.

* Por Genevra Pittman (Nova York), com redação iG São Paulo

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