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Presidente da entidade diz que, caso os antidepressivos tenham sido proibidos no programa, decisão configura preconceito e expôs Fani ao risco

Fani, no BBB13: ela diz ter sido proibida de tomar os medicamentos contra a depressão
Divulgação/TVGlobo
Fani, no BBB13: ela diz ter sido proibida de tomar os medicamentos contra a depressão

A atriz Fani Pacheco disse, em entrevista exclusiva ao iG , que foi proibida pela produção do BBB 13 de levar e fazer uso – durante o programa – dos medicamentos necessários para o tratamento da depressão (doença que diz ser portadora e que afeta 21% da população brasileira).

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Antonio Geraldo da Silva, psiquiatra e presidente da Associação Brasileira de Psiquiatra (ABP), informou que vai procurar a Globo para esclarecer a situação.

Em entrevista ao iG , Silva explica que depressão é uma doença séria, grave e perigosa e alvo de preconceito.

“Quando você condena uma doença tão grave como a depressão a esta invisibilidade, você indiretamente diz que o doente não tem direito ao tratamento médico.”

Leia a seguir a entrevista:

iG: Na sua opinião, a informação de que uma participante do Big Brother Brasil foi impedida de fazer uso da medicação antidepressiva durante o programa reflete o quê?

Antonio Geraldo da Silva: Não sabemos ainda se de fato o uso do medicamento foi proibido. Mas, caso a informação proceda, o fato merece um alerta. A depressão é uma doença séria, grave e perigosa quando não tratada. Cerca de 20% da população brasileira padece de depressão e alguns pilares fazem parte do tratamento, como atividades físicas, atividades de lazer, alimentação adequada, psicoterapia e medicamentos. São mais de 50 tipos de medicamentos para a depressão e eles sempre fornecem, quando prescritos por médicos, algo que falta ao doente. Exatamente como fazem os remédios para quem tem pressão alta e diabetes.

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O medicamento, quando necessário, é o principal suporte do tratamento. Tirar este item é colocar o paciente em risco. Atualmente, 25% das pessoas têm risco de sofrer com algum quadro de depressão na vida. Após o primeiro quadro, há um risco aumentado de 50% de ter a segunda crise. Passando pela segunda experiência, a terceira vez pode acontecer com 75% a mais na incidência. Isso é só uma amostra dos riscos de não se fazer o tratamento correto da doença.

iG: O senhor, por meio da ABP, pretende fazer algo com relação a este caso do BBB?

Silva: Sim, pretendemos fazer contato com a Rede Globo, e esclarecer a situação. A ABP está à disposição para qualquer eventual esclarecimento a respeito da doença e sobre a Psicofobia, que é o preconceito contra os portadores de deficiências e transtornos mentais.

iG: Este reality show é marcado pela oferta e pelo consumo abundante de álcool. O risco de interação entre antidepressivos e bebida pode estar por trás desta proibição?

Silva: Medicamentos para o diabetes também interagem com álcool, antialérgicos da mesma forma. São vários medicamentos que, em associação com o álcool, podem provocar efeitos adversos. Suspender a medicação por conta própria ou para participar de qualquer que seja a atividade é inadequado, pelo fato de interromper o tratamento. Então, sabendo das consequências,a participante não deveria ter o feito. É colocar em risco a saúde.

iG: A situação característica de um reality show poderia, sozinha, despertar essas crises mesmo para quem nunca havia tido um quadro prévio de depressão ou ansiedade?

Silva: Só a participação no programa, não. Claro que o fato da participante estar confinada, a pressão para ir bem nas provas, etc, podem ser um gatilho para os transtornos. Mas, não posso afirmar que apenas a participação no programa tenha sido o motivo para o quadro depressivo, a doença tem relação com a genética e fenótipo (que é o meio ambiente).

iG: O senhor tem sido um grande defensor de campanhas contra o preconceito em torno da saúde mental. Acredita que restringir o uso de medicamentos configura um destes preconceitos chamados de psicofobia?

Silva: Caso o medicamento tenha sido de fato proibido e com a equipe do programa ciente do grau de depressão da participante, sim, seria um preconceito. Quando você condena uma doença tão grave como a depressão a esta invisibilidade, você indiretamente diz que o doente não tem direito ao tratamento médico. Certa vez, estive em Nova York e no aeroporto havia um outdoor enorme dizendo: ‘Calma, fica tranquilo, a depressão vai passar’. Imagina o escândalo que seria se no lugar de ‘depressão’ estivesse escrito câncer ou diabetes? Não reconhecer a saúde mental como passível de doenças é condenar os doentes a permanecerem doentes. Depressão mata quando não tratada.

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