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Anvisa quer esclarecer o tema e combater a propaganda, por vezes enganosa, das clínicas privadas que oferecem o serviço

Agência Estado

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) lança, nesta sexta-feira, 24, uma cartilha com verdades e mitos sobre o armazenamento de sangue do cordão umbilical e da placenta. A iniciativa surge como contraponto à propaganda de clínicas privadas, muitas vezes enganosa.

"Queremos esclarecer, trazer todas as informações necessárias para que as pessoas possam questionar: vale a pena recorrer a um serviço particular?", diz o gerente-geral de Sangue, Tecidos, Células e Órgãos da agência, Daniel Coradi.

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Segundo ele, há 17 bancos de sangue privados de cordão umbilical no País, que juntos armazenam aproximadamente 70 mil bolsas. O material, coletado no parto, é visto pelas famílias como precaução terapêutica: a criança quando crescer ou algum membro da família poderia se valer das células-tronco para o tratamento de doenças.

A estratégia não é barata. Famílias pagam de R$ 5 mil a R$ 7 mil para coletar o material no parto e cerca de R$ 800 anuais para manutenção.

"É como vender terreno na lua. Algumas clínicas afirmam que as células poderão ser usadas para tratar Parkinson, Alzheimer e alguns tipos de câncer. Mas não há nada atualmente que comprove isso", diz o presidente da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular, Carmino Antonio de Souza.

O sangue de cordão umbilical, assim como a medula, é rico em células-tronco. Atualmente, o material tem sido usado para tratar pacientes com doenças hematológicas. O tratamento é feito basicamente em bancos públicos, que armazenam células-tronco de doações, e para ter acesso é preciso apenas que haja compatibilidade.

Saiba mais sobre células-tronco

Quando não há material compatível, a busca é feita em bancos de sangue umbilical do exterior, com os quais o País tem convênio. Segundo Coradi, a prática é comum.

"Recebemos, em média, dois pedidos semanais."

Ele diz que mais de 12 mil pacientes no mundo são tratados com transplantes de células-tronco armazenadas em bancos públicos. Há a possibilidade de o SUS financiar o uso do material do doador ou parente, se estiver disponível.

Segundo ele, a chance de uma criança necessitar das próprias células-tronco é baixa – das 45.661 unidades de sangue de cordão armazenadas nos bancos até 2010, só 3 foram usadas em transplante na própria pessoa.

"Em muitos casos, o uso do sangue de cordão armazenado é contraindicado." Isso porque pode ter o mesmo defeito. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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