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Congresso internacional de oncologia mostrou resultados alentadores com drogas e terapias que podem prolongar a vida nos casos em que o tratamento padrão falhou

Medicamentos que ajudam a aumentar a sobrevida de pacientes com câncer, novas estratégias de combate às células que causam o tumor e novos usos para remédios que já se mostraram eficazes no tratamento da doença.

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Este arsenal que pretende combater uma das doenças que mais matam no mundo foi apresentado na edição deste ano no congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, o ASCO, que terminou nesta terça (4) em Chicago, nos Estados Unidos.

“Com diagnóstico precoce, poderíamos curar cerca de 60% dos cânceres. Infelizmente não é o que ocorre”, lamenta o brasileiro Ademar Lopes, cirurgião oncológico e diretor do departamento de cirurgia pélvica do hospital AC Camargo Cancer Center.

Enquanto essa realidade não muda, a medicina luta para desenvolver tratamentos cada vez mais personalizados e precisos. Para se tornarem disponíveis para uso na clínica médica, no entanto, são necessários anos de pesquisas.

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Considerado uma das maiores e mais prestigiadas conferências médicas do mundo na área da oncologia, o congresso da ASCO reune o que há de mais recente e promissor em termos de pesquisas sobre a doença. Veja a seguir algumas novidades de tratamento apresentadas no congresso deste ano.

Melanoma

Tipo mais grave de câncer de pele – ele se espalha rapidamente, gerando metastase em outros pontos do corpo – o melanoma é considerado pelos médicos um câncer de difícil tratamento e com poucas opções terapêuticas.

Por isso, uma das grandes novidades neste campo foi a apresentação de diversos estudos com drogas e estratégias de tratamento que se aliam ao sistema imunológico para combater as células cancerosas. Algumas são administradas na corrente sanguínea e outras são injetadas diretamente no tumor, sob a forma de vírus.

"Depois de injetados, esses vírus provocam uma resposta imunológica no corpo, que destrói as células cancerígenas", explica o oncologista Felipe Roitberg, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP).

Câncer de pulmão

Segundo o Ademar Lopes, cirurgião do AC Camargo Cancer Center, o tratamento para esse tipo de câncer tem progredido muito pouco, principalmente por causa da ausência do diagnóstico precoce.

“Os métodos são muito frágeis, ruins, muitas vezes quando um exame de imagem detecta um tumor, ele já está em estágio avançado”, diz o médico, que também é vice-presidente do Hospital AC Camargo.

No congresso deste ano o destaque neste campo foi um estudo sobre um novo medicamento que, adicionado à quimioterapia padrão, pode prolongar a vida dos pacientes com adenocarcinoma pulmonar, a forma mais letal da doença.

É a primeira vez em 10 anos que os pesquisadores encontraram uma forma diferente de tratar esse grupo de pacientes. O medicamento, chamado de ganetespib, funciona barrando a produção de proteínas envolvidas no crescimento dos tumores. A vantagem em relação aos tratamentos existentes é uma quantidade menor de efeitos colaterais, explica o médico.

Câncer de ovário

Ele é considerado a ovelha negra dos cânceres ginecológicos. Isso porque o diagnóstico precoce quase não existe – o ovário não é um órgão facilmente palpável em exames e muitas vezes um tumor pequeno não é detectado. Em geral, quando é feito o diagnóstico, a doença está em estágio avançado e há pouco o que fazer.

Um novo estudo neste campo mostrou que o pazopanib, já aprovado pela FDA para tratar câncer de rim e sarcoma de tecidos moles, consegue prolongar em média 5,6 meses a vida das mulheres que sofrem câncer de ovário em estágio avançado. O remédio atua bloqueando o crescimento dos tumores e dos vasos sanguíneos que os alimentam. Agora, os pesquisadores querem analisar se a eficácia do medicamento aumenta quando usado juntamente com a quimioterapia tradicional.

Leucemia

O mais frequente câncer nas células do sangue, a Leucemia Linfóide Crônica (LLC), costuma afetar idosos. A novidade no tratamento desse tipo de câncer é a utilização dos anticorpos monoclonais para tratar a doença.

“Eles são, de maneira genérica, chamados de tratamentos dirigidos ao alvo. Diferente da quimioterapia tradicional, que age em todas as células do corpo causando efeitos colaterais, os anticorpos monoclonais agem especificamente nas células cancerosas. Eles são mais efetivos e causam menos efeitos adversos”, explica Carlos Chiattone, professor de hematologia da Santa Casa de São Paulo e médico do Hospital Samaritano.

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Segundo o médico, um estudo produzido por um grupo alemão apresenta um novo anticorpo monoclonal, oGA101, com características diferentes daqueles que já existem no mercado.

“Ele é modificado geneticamente. Tem uma ação muito mais intensa na célula doente e uma capacidade de expor estas células ao próprio sistema imune do doente”.

O remédio também seria mais eficaz, diz o especialista.

“Em testes feitos em laboratório, o anticorpo chega a ter 100 vezes mais potência do que os que utilizamos hoje em dia. Embora esses resultados sejam preliminares, podemos ver que essa modificação trará um grande benefício."

Câncer de tireoide

É um tumor bastante frequente na população brasileira e em todo o mundo. Por conta da alta taxa de cura, muito pouco é investido no desenvolvimento de novas drogas para tratar os casos mais graves – aproximadamente 10% dos afetados por esse câncer não reagem aos tratamentos disponíveis hoje.

Um medicamento já existente, usado nos casos avançados de câncer de rim e fígado, pode contribuir para a melhora das condições da tireoide. Um estudo apresentado no congresso mostrou que o remédio, chamado de sorafenib, quase dobrou o tempo em que a doença ficou sem progredir. Se for aprovada pela FDA, será a primeira nova droga para câncer da tireoide em 40 anos.

* Com informações do New York Times

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