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Redução nas taxas de infecção pelo vírus pode proteger até quem não recebeu a vacina, dizem cientistas. Entenda

A introdução da vacina para prevenir o câncer do colo do útero em 2006, nos Estados Unidos, reduziu as infecções pelo papiloma vírus humano (HPV) – o responsável pelo desenvolvimento da doença – pela metade entre meninas e jovens mulheres daquele país, afirmaram autoridades de saúde dos EUA nesta quarta-feira (20).

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Os resultados foram melhores do que o esperado e podem até mesmo sugerir que mesmo as pessoas não vacinadas estão se beneficiando da vacinação por conta da queda no número de infecções que circulam no país, relataram os pesquisadores no Journal of Infectious Diseases.

“Este relatório deve funcionar como um toque de despertar para o nosso país proteger a próxima geração aumentando as taxas de vacinação contra o HPV”, disse Thomas Frieden, diretor dos Centros para Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (DCD).

Frieden disse que apenas um terço das mulheres americanas com idades entre 13 e 17 anos foram totalmente vacinadas contra o HPV – as vacinas são da Merck e da GlaxoSmithKline.

“Nossas baixas taxas de vacinação representam 50 mil tragédias evitáveis. Representam 50 mil meninas vivas hoje que vão desenvolver câncer do colo do útero durante a vida, algo que teria sido evitado se tivéssemos 80% de cobertura vacinal”, disse Frieden.

Na pesquisa, uma equipe liderada por Lauri Markowitz, do CDC, usou dados de um grande estudo epidemiológico para comparar as taxas de infecção por determinadas cepas do vírus HPV entre as meninas e mulheres com idades entre 14 e 19 anos no período de quatro anos antes da introdução da vacina (2003-2006) e, após a introdução do imunizante (2007-2010).

O estudo reflete em grande parte o impacto a vacina da Merck. Em 2006, ela tornou-se a primeira imunização contra o HPV a ganhar a aprovação dos EUA. Ela protege contra quatro tipos de HPV que podem causar câncer cervical e verrugas genitais. A vacina da Glaxo ganhou a aprovação dos EUA em 2009 e protege contra duas das cepas mais comuns causadoras de câncer.

Os pesquisadores descobriram que a vacina funcionou ainda melhor do que o esperado, reduzindo em 56% o número de infecções causadas por cepas de HPV cobertas pela vacina entre mulheres e meninas com idades entre 14 a 19.

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Markowitz disse que o aumento inesperado na taxa de resposta pode ser o resultado da chamada “imunidade de grupo”, situação em que a vacina também reduz infecções entre aqueles que não são vacinados. Outra hipótese é de que a vacina seja eficaz mesmo entre as mulheres que não receberam o total de três doses, situação de cerca de 49% das mulheres estudadas.

O CDC recomenda a vacinação de rotina HPV para meninos e meninas de 11 e 12 anos de idade. Apenas metade de todas as meninas dos EUA recebeu pelo menos uma das três doses recomendadas, e um número muito menor de meninos receberam apenas a primeira dose.

De acordo com o CDC, as infecções pelo HPV causam cerca de 19.000 cânceres a cada ano entre as mulheres nos Estados Unidos, dentre os quais o mais comum é o câncer de colo do útero. Infecções de HPV também causam cerca 8.000 casos de câncer entre homens, sendo os cânceres de garganta os mais comuns.

* Por Julie Steenhuysen

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