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Cantora dá dicas sobre como manter a saúde e a energia na nona década de vida

Aos 91 anos, Bibi Ferreira canta Edith Piaf
Foto Rio News
Aos 91 anos, Bibi Ferreira canta Edith Piaf

A agenda da cantora Bibi Ferreira é mesmo de dar inveja para um nonagenário. A bordo de sapatos de salto altíssimo, voz firme e sem desafinar uma única vez ela canta por uma hora as músicas da artista francesa no teatro Frei Caneca, em São Paulo, invariavelmente cheio, três vezes por semana.

Além disso, Bibi faz planos: está estudando as músicas e a biografia de Frank Sinatra, seu cantor preferido, para o novo espetáculo que vai lançar no ano que vem. Concomitantemente, está se preparando para uma turnê de 15 dias, em novembro, no The Town Hall, em Nova York, onde cantará Piaf. Aos 91 anos (ou quase 92, como gosta de dizer) Bibi está mais ativa que muita gente de metade da sua idade.

Ela afirma que simplesmente não sente o peso do tempo. “Acontece que você não sente a idade desde que tenha saúde, pode ter 30, 40, 50 ou quase 92”, disse a cantora em entrevista ao iG .

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Bibi está cheia de saúde, mas não gosta muito de falar do assunto. Para ela o fato de estar com tanta vitalidade é questão de sorte. “Não gosto de falar sobre a minha saúde. Não é bom a gente dizer as coisas boas que a gente tem. Tem gente que gosta da gente e tem quem não gosta. Então é bom evitar mau olhado, né?”, ri.

Vinagre no prato
Mesmo com este zelo, ela também tira onda da boa condição de saúde ao se comparar com o neto. “Eu sou muito feliz porque posso comer e beber tudo o que quiser. Isso é uma maravilha. Eu vejo jovens na minha própria família, meu neto, por exemplo, que não pode com vinagre. Vinagre! Essas coisas me aborrecem, mas eu passo por cima muito prosa”, conta, soltando uma gargalhada.

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Para Salo Buksnman, geriatra e membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia o que Bibi falou em relação à sorte tem fundamento. “A genética tem muita importância na longevidade. Tenho pacientes que comem toucinho, bebem mais do que devem, não fazem exercício e passam por uma velhice cheia de saúde”, disse.

“Se uma pessoa come e bebe tudo o que quer e dorme no mínimo oito horas por dia, não pode ter problema, como fazer um ou dez shows. Se a pessoa tem problema no fígado, não tá se sustentando bem fisicamente e se mentalmente também não consegue gravar ‘la vie em rose’, aí é melhor dar um tiro na cabeça, ou então aguenta os sacrifícios da idade”, diz Bibi.

O médico explica que quem não tem esta sorte deve se preocupar em ter uma vida mais saudável. “É preciso criar um estilo de vida saudável, seja prevenindo doenças e as tratando com medicamentos quando for o caso”, disse.

Portanto é importante uma dieta pobre em gordura, como a chamada dieta mediterrânea , por exemplo, e muito exercício físico. Buksnman indica duas modalidades de exercício, uma que aumente o fôlego outra que aumente a capacidade muscular.

“É bom fazer desde sempre, mas é bom acentuar depois dos 50, quando começa a perder massa muscular e mais para frente pode acarretar em quedas”, disse.

Fora a dupla clássica comer bem e se exercitar, quem quer envelhecer com saúde devem prestar atenção em atitude e no controle das emoções. “Eu trato de levar a vida como ela é. De vez em quando a vida dá uns trancos”, diz Bibi.

Outra atitude que Bibi considera importante é ter cuidado com as palavras e não falar mal das pessoas. "Trato de não fala mal dos outros. A palavra fica no ar. Eu tenho tanta certeza disso. Tanto bom quanto ruim fica tudo por aí. É muito importante ter bons pensamento e boas palavras", ensina.

Buksnman explica que a sabedoria em lidar com a vida é fator determinante entre as pessoas que vivem muito, pois evita a depressão. “Nota-se também que as pessoas que conseguem ter um bom equilíbrio entre trabalho e lazer tendem a viver mais”.

Bibi concorda que é preciso ter equilíbrio diz que nunca quis se sobrecarregar para não atrapalhar, inclusive, a qualidade de seu trabalho. “Outras atrizes conseguem fazer, cinema, televisão tudo ao mesmo tempo e muito bem, mas eu não conseguiria, por causa do meu temperamento. Eu sou muito preguiçosa”, diz.

Bibi acredita que não teria ânimo para sair de uma atividade e ir para outra bem disposta. “Eu acho que eu não ia fazer bem feito”, explica.

Coração cheio de amor
O médico também ressalta que as estatísticas mostram que pessoas com vida conjugal estável tendem a viver mais. “Indivíduos que não sofrem estresses de separações ou divisão dos filhos costumam viver mais”, disse.

“O amor é importantíssimo. Só que depois de uma certa idade você vê esse tipo de amor é dificílimo de acontecer. Porque o homem vai muito pela idade, né? O negócio é jovem, jovem, jovem. Poxa, uma mulher de 91 anos, por mais engraçadinha que ela seja ( e os dentes são todos meus) é uma mulher de 91 anos . Pronto acabou, morreu. Essa é verdade pra mim”, diz Bibi.

Assista abaixo à entrevista de Bibi Ferreira às repórteres Maria Fernanda Ziegler e Susan Souza e veja a interpretação de uma canção:



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