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Para pesquisadores, muitos casos de tristeza comum estão sendo confundidos com depressão, o que estaria levando ao abuso de medicamentos

De acordo com o DSM, a depressão grave é diagnosticada se a pessoa está deprimida e não tem interesse em atividades há pelo menos duas semanas, além de apresentar mais cinco sintomas que interfiram no dia a dia
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De acordo com o DSM, a depressão grave é diagnosticada se a pessoa está deprimida e não tem interesse em atividades há pelo menos duas semanas, além de apresentar mais cinco sintomas que interfiram no dia a dia


Ao longo das últimas duas décadas, o uso de antidepressivos disparou. Atualmente, um em cada 10 americanos toma medicação antidepressiva; entre as mulheres na faixa dos 40 e 50 anos, o número é de 1 a cada 4.

Os especialistas citam vários motivos para isso. A depressão é comum, e as dificuldades econômicas nos tornaram ainda mais estressados e angustiados. Há propagandas que promovem antidepressivos na televisão, e eles geralmente são cobertos pelos planos de seguros de saúde, mesmo que estes limitem os tratamentos psicoterápicos. Porém, um estudo recente sugere outra explicação: que a depressão está sendo diagnosticada em excesso, em uma escala extraordinária.

O estudo, publicado em abril no periódico Psychotherapy and Psychosomatics , revelou que quase dois terços de uma amostra de mais de cinco mil pacientes que tinham recebido diagnóstico de depressão nos últimos 12 meses não satisfaziam os critérios de classificação de um episódio depressivo grave, tal como descrito pela bíblia dos psiquiatras, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (ou DSM).

A pesquisa não foi a primeira a descobrir que os pacientes frequentemente recebem diagnósticos "falso-positivos" de depressão. Várias análises anteriores relataram que a precisão diagnóstica é baixa em consultórios de clínica geral, em grande parte porque a depressão grave é bastante rara nesse contexto.

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Os idosos mostraram maior propensão para receber esse diagnóstico, revelou o estudo mais recente. Seis dos sete pacientes de 65 anos ou mais que receberam diagnóstico de depressão não se encaixam nos critérios. Pacientes com nível de instrução mais alto e aqueles com problemas de saúde se mostraram menos propensos a receber um diagnóstico impreciso.

A grande maioria dos indivíduos diagnosticados com depressão, com ou sem motivo, receberam medicação, disse o principal autor do estudo, Dr. Ramin Mojtabai, professor associado da Escola Johns Hopkins Bloomberg de Saúde Pública.

A maioria das pessoas continua a tomar os medicamentos - que podem ter vários efeitos colaterais - por pelo menos dois anos. Alguns os tomam por pelo menos uma década.

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"Não se trata apenas de os médicos estarem prescrevendo mais. A população tem pedido mais medicamentos", disse Mojtabai. "Sentimentos de tristeza, o estresse da vida diária e problemas de relacionamento podem causar sentimentos de perturbação ou tristeza que podem ser passageiros e não durarem muito tempo. Entretanto, os americanos têm tomado cada vez mais antidepressivos para enfrentar esses sentimentos".

Por outro lado, no ano passado, a Faculdade Holandesa de Médicos de Clínica Geral recomendou que seus membros prescrevessem antidepressivos só em casos graves e, em vez disso, oferecer tratamento psicológico e outras formas de apoio na vida cotidiana. Autoridades observaram que os sintomas depressivos podem ser uma reação normal, passageira, de decepção ou perda.

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Ironicamente, embora muitos pacientes nos Estados Unidos sejam inadequadamente diagnosticados com depressão, muitos que realmente sofrem da doença ficam sem tratamento. O Dr. Mark Olfson, professor de psiquiatria clínica no Centro Médico da Universidade de Columbia, disse que a partir do momento em que desenvolvem depressão, os americanos levam oito anos, em média, para buscar atendimento.

Diagnosticar a depressão é uma tarefa inerentemente subjetiva, disse o Dr. Jeffrey Lieberman, presidente da Associação Americana de Psiquiatria.

"Seria ótimo se pudéssemos fazer um exame de sangue, um teste de laboratório ou um eletrocardiograma", disse Lieberman, notando que as alegações semelhantes às de abuso de antidepressivos já foram feitas quanto a síndromes como déficit de atenção e hiperatividade. "O diagnóstico é feito pelos sintomas, pela história e pela observação."

O novo estudo atraiu 5.639 pessoas que tinham sido diagnosticadas com depressão, entre uma amostra representativa a nível nacional, de mais de 75 mil adultos que participaram da Pesquisa Nacional de Uso de Drogas e Saúde, em 2009 e 2010. Os sujeitos foram entrevistados pessoalmente com perguntas baseadas nos critérios do DSM-4.

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Apenas 38,4 por cento dos participantes satisfizeram os critérios de diagnóstico de depressão durante o ano anterior, disse Mojtabai.

É possível que alguns dos participantes não tenha parecido estar deprimido porque já tinham sido tratados com sucesso, disse o Dr. Jeffrey Cain, presidente da Academia de Médicos de Família. Talvez estivessem se sentindo melhores, o que pode ter mascarado a forma como eles responderam a perguntas sobre o passado.

"Se examino pessoas que estão sob tratamento medicamentoso contra a pressão arterial elevada, minha expectativa é de que elas estejam melhores quando eu as examino", disse Caim.

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De acordo com o DSM, um diagnóstico de episódio depressivo grave é apropriado se o paciente se sente deprimido e não tem interesse em atividades há pelo menos duas semanas, e também se ele sofre de pelo menos cinco sintomas que prejudicam o seu funcionamento no cotidiano. Entre eles, há o ganho ou perda de peso não intencional, os problemas para dormir, reações agitadas ou lentas demais, notadas pelos outros, fadiga e pouca energia, sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva, dificuldade de concentração e pensamentos recorrentes de morte.

"Nós não estamos apenas falando de alguém que está tendo um dia ruim ou discutiu com o cônjuge", disse Lieberman. "Estamos falando de algo grave, o que significa que esse algo é incapacitante e angustiante e não é transitório."

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Muitos médicos prescrevem, há bastante tempo, antidepressivos a pessoas que acabam de perder um membro da família, apesar de o DSM recomendar que os médicos distingam o luto normal do luto patológico.

Um mulher nova-iorquina de 50 anos contou que seu médico receitou um antidepressivo poucas semanas após a morte de seu marido, embora ela acreditasse que seus sentimentos de choque e tristeza eram adequados.

"Ele me disse, 'Você tem viver de maneira funcional, você tem que manter seu emprego, você tem uma filha para criar'", disse a mulher, que pediu que seu nome não fosse citado porque poucos amigos ou membros de sua família souberam que ela estava tomando antidepressivos.

A maioria dos participantes do estudo não recebeu atendimento específico em saúde mental, mas Caim salientou que não ficou claro quem estava fazendo os diagnósticos equivocados: um psiquiatra, um médico não psiquiatra ou outro profissional, como uma enfermeira.

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No entanto, embora um psiquiatra possa passar até 90 minutos com um paciente antes de dar um diagnóstico, os pacientes muitas vezes se sentem mais à vontade com seus médicos de cuidados primários, que raramente têm como dedicar tanto tempo assim a eles.

Lieberman sugeriu que apenas uma observação atenta pode ser apropriada em alguns casos, e que formas mais integradas de assistência médica podem em breve facilitar o encaminhamento dos pacientes para um profissional de saúde mental próximo.

Os médicos precisam aperfeiçoar suas habilidades de diagnóstico, disse Mojtabai, e devem resistir à tentação de "pegar o receituário, prescrever um antidepressivo e entregá-lo ao paciente."

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