Tamanho do texto

Diminuição foi em todas as classes sociais, exceto na A, que mais que dobrou o consumo de tabaco; mesmo com redução, aqueles que continuam fumando consomem mais cigarros

O número de fumantes no Brasil diminuiu 20% nos últimos seis anos, exceto na classe A, que mais que dobrou o consumo. Os dados são do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), divulgado nesta quarta (11). No total, estima-se que existam cerca de 20 milhões de fumantes no País, além de outros 70 milhões de fumantes passivos. A redução ocorreu em todas as regiões do País, a maior foi na região Sul (23%), que continua sendo a com maior prevalência de consumo de tabaco.

"O aumento de fumantes na classe A mostra quanto o acesso é mais importante que o conhecimento. Embora a pessoa saiba que o cigarro faz mal, a possibilidade de compra é mais importante para o surgimento de novos fumantes. Por isso, o imposto sobre o produto é mais importante que campanhas de prevenção", afirmou Clarice Madruga, psiquiatra e coordenadora do Lenad, durante divulgação dos dados. Em 2012, 21% dos fumantes afirmaram acreditar que o cigarro não é tão prejudicial quanto dizem as campanhas.

O levantamento mostrou também que a idade média que as pessoas começam a fumar regularmente é de 17,4 anos. "A média é menor do que a lei permite. Outro dado preocupante é que 55% dos adolescentes pesquisados relataram não ter dificuldade nenhuma para comprar cigarros", disse Clarice.

Mudança no que se refere ao vício

Mesmo com a redução de fumantes no País, foi notado que, entre os que continuam fumando, a dependência se agravou. Em média, os fumantes consomem 14,1 cigarros por dia, em 2006, o índice era de 12,9 cigarros. Houve também um aumento de 17,9% para 25,3% de fumantes que consomem o primeiro cigarro cinco minutos após acordar.

"A pessoa já acorda com fissura por causa da síndrome de abstinência. Nossa hipótese é de que aqueles que continuaram fumando estão mais dependentes",  disse Clarice.

Mulheres

O estudo também mostrou que 11,3% da população já fumou no passado e parou. Entre as razões para parar de fumar, a maioria dos ex-fumantes relatou motivos de saúde (73%) como principal causa, 6,4% parou de fumar para economizar dinheiro.

Na comparação dos dados de 2012 com os do primeiro levantamento, realizado em 2006, a redução maior foi entre homens e adolescentes, apesar de a prevalência do fuma ainda ser maior entre eles.

Apesar de o fumo ser mais incomum entre as mulheres, os pesquisadores temem que o fato de elas serem menos propensas a abandonar o vício mude essa proporção. Nestes seis anos, a redução entre os homens foi de 22% e, entre as mulheres, 13%. "Acredito que no futuro a prevalência seja igual", diz a médica Ana Cecília Marques, integrante da equipe do Lenad.

Para Clarice, a coordenadora da pesquisa, questões biológicas explicam a maior dificuldade da mulher em abandonar o cigarro. "A dependência da mulher é diferente. Os hormônios sexuais atrapalham o tratamento e as tentativas de parar de fumar. " 

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.