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Paulistana quase morreu após complicações de pós-operatório e só sobreviveu por causa de transfusão de sangue; estoque nos hemocentros está abaixo do necessário

Após uma complicação de pós-operatório,  Cristiani precisou de uma transfusão de sangue
Arquivo pessoal
Após uma complicação de pós-operatório, Cristiani precisou de uma transfusão de sangue

Doar sangue é o tipo de coisa que se faz sem esperar nada em troca. Cristiani Rocha, doadora há mais de 20 anos, também não esperava retribuição nenhuma, até o dia que uma transfusão de sangue salvou a sua vida. Agora, a analista de recursos humanos, aguarda sua recuperação completa para voltar à antiga rotina de ir ao hemocentro a cada quatro meses.

“Sempre fui doadora de sangue, mas nunca passou pela minha cabeça que um dia iria precisar”, conta Cristiani, 41 anos, que necessitou de cinco bolsas de sangue (ou 2,5 litros) para se recuperar de complicações em um pós-operatório.

No ano passado, Cristiani fez uma abdominoplastia, cirurgia plástica que remove o excesso de gordura e de pele, procedimento comum em casos de pessoas que passaram por operação para redução de estômago. Com a bariátrica, ela passou de 120 quilos para 74 quilos. Com a abdominoplastia, foram retirados 2,5 quilos de pele da barriga. Mas, logo após o fim da cirurgia, ela começou a delirar, faltou oxigênio no cérebro e precisou ser entubada.

"Foi um milagre. Perdi muito sangue, faltou oxigênio no cérebro, mas graças a Deus e a doação de sangue estou aqui e sem sequela alguma", diz.

Àqueles que nunca doaram, por medo da seringa ou por falta de iniciativa, Cristiani conta que nunca teve qualquer efeito colateral. "Nunca me senti mal, cheguei até a ganhar um pingente no formato de uma gota como retribuição do Pró-sangue. Doava porque queria fazer o bem e não lhe custava nada.”

Em tempo: agora é a hora oportuna para quem nunca frequentou um hemocentro. No início do ano, por falta de doadores, os estoques caem em torno de 25% e, ao mesmo tempo, por conta das festas de fim de ano, aumentam o número de acidentes e a demanda por transfusões.

No Hemocentro de São Paulo a situação é muito grave: o nível do estoque atingiu patamar crítico. O Hemocentro está com um terço do ideal necessário para abastecer os hospitais. O armazenado atualmente é suficiente para suprir apenas de um a dois dias. E o Carnaval está aí. 

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